domingo, 22 de novembro de 2009

meu amor me agarra e geme e treme chora e mata

Jards Macalé
meu amor é um tigre de papel
range ruge morde
mas não passa
de um tigre de papel

numa sala ausente
meu amor presente

me prende entre os dentes
depois me abandona e vai
definitivamente... definitivamente

ilude desilude range ruge morde
velho tigre de virtude

nas selvas de seu quarto entre florestas
cartas
frases desesperadas
lençóis

onde me ama
furiosas garras meu amor me agarra e geme e treme chora e mata

um tigre de papel perdido nos lençóis da caça

um tigre

perdido

um tigre de papel

perdido

sábado, 21 de novembro de 2009

repasso o passo

um passo em falso
e você não está mais no mesmo lugar ...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Você não é nada

Enquanto ela esperava ele
Ele esperava ela

Encontro de meia noite
Butiquin bar e janela

Enquanto o sol saia
E o dia amanhece
No peito coração ardia
Queimava incendiava

Nessa vida amar não basta
Isso descobri muito tarde

Ô ÔÔ Ô ÔÔ Ô Ô Ô ÔÔ Ô Ô ÔÔ Ô
NÃO NÃO NÃO NADA NADA NADA NÃO NÃO NÃO
NÃO NÃO NÃO NADA NADA NADA NÃO NÃO NÃO

Descobriu que não queria mais
Que suas noites são terríveis
Junto a ela ou ao seus ais

Melhor está sendo deixar a vida me abraçar
A vida me abraçar

NÃO NÃO NÃO NADA NADA NADA NÃO NÃO NÃO
NÃO NÃO NÃO NADA NADA NADA NÃO NÃO NÃO

O CÊ não é nada
Você não é nada

Descobriu que não queria mais
Que suas noites são terríveis
Junto a ela ou ao seus ais

Melhor está sendo deixar a vida me abraçar
A vida me abraçar

NÃO NÃO NÃO NADA NADA NADA NÃO NÃO NÃO
NÃO NÃO NÃO NADA NADA NADA NÃO NÃO NÃO

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Festival MUSGO



TERÇA - FEIRA (10/11)

. Performance:

“Corpos que Ficam” - Teatro da Margem - 12h30 – 13h30
local: em frente ao RU


. Oficina:

“Fazendo Zine” - 14h – 18h
- Origem, dicas de criação, produção e diagramação de zines
local: mesas em frente ao RU
oficineiros: Diego Mendonça (Tamboril, Ciências Sociais UFU), Lauana Fidêncio (Tamboril, Mestranda Letras UFU), Leon de Aguiar (Tamboril, escritor)


QUARTA-FEIRA (11/11/09)

. Jam Session - 12h30 – 13h30
local: em frente ao RU


. Mesa-Redonda:

“Produção Artística em Uberlândia” - 14h – 17h
- Panorama sobre as articulações desenvolvidas entre os artistas independentes e apresentação de suas formas de atuação no mercado cultural
local: Anfiteatro 3Q
participantes: Gabriel Caixeta (Dicult), Diego Mendonça (Tamboril), Alcides Mello (Músico, compositor, artista plástico), Muryel de Zoppa (escritor), Robisson Sete (Coletivo Subsolo, músico)


.Oficina:

“Criação Audiovisual*” - 14h – 18h
local: CC Umuarama
oficineiros: Luciano Pereira (Tamboril, Filosofia UFU), Gabriel Batista (Velotrol Produções), Guilherme Martini (Tamboril , Sistemas UFU)

*Campus Umuarama

QUINTA – FEIRA (12/11/09)

. Performance:

“Trupe Tamboril de Teatro” - 11h30 – 12h30
local: em frente ao RU


. Jam Session - 12h30 – 13h30
local: em frente ao RU


. Mesa-Redonda:

“Leitura e Estranhamento – Livru Digitau e Literatura de ‘baratos’/ Texto ‘curtição’” – 14h – 17h
local: Bloco 5O - sala 204
Participantes: Alcides Melo (autor), Doutora Maria Ivonete Santos Silva (ILLEL-UFU), Doutora Kênia Maria de A. Pereira (ILLEL-UFU)


. Exibição:

“Velotrol Produções” - 18h
local: Anfiteatro 1E


SEXTA-FEIRA (13/11/09)

. Jam Session - 12h30 – 13h30
local: em frente ao RU


. Mesa - Redonda:

“Mercado da cultura independente e economia solidária” - 14h – 17h
local: Anfiteatro 1E
participantes: Paulo Rais (Incubadora de Empreendimentos Solidários – IES PROEX/UFU), Sônia Vasconcelos (Incubadora de Empreendimentos Solidários – IES PROEX/UFU), Cáritas (Grupo de dança BDR) Breilla Zanon (Tamboril, Ciências Sociais UFU), André Cavalcante (Tamboril, História UFU)


. Exibições:
local: Anfiteatro 1E

“Zoológico dos Animais Animados” (Literatura de “baratos” / Texto “curtição”)
Alcides Mello – 17h

“Achora”
Flávio Citton – 18h


SÁBADO (14/11)

. Shows:
18h – 1h30
local: Centro de Convivência

Arca
Homônimos Perfeitos
Alquimia Para Iniciados
BDR Esperança
Dissidente
B.O
Dom Capaz

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Pós ...

Xico Mascarenhas Também Sete



pós parto
pós tudo
pós modernismo estruturalista
pós coito
pós briga rixa e amor

pós jambolada

podia ser pós carna triângulo ou pós abadá meu bem tô doidão na chincha do crioulo doido

mas é
pós jambolada
que tá pegando hoje
na segundona

enfim
hoje ele só poderia sair pra rua de bermuda e chinelo de dedo
chinelo havaianas mesmo... das tiras lá e tal...

mas não qualquer chinela de dedo
tinha de ser uma laranja, da cor dos olhos dele
havaianas laranja porque é psicodélica porque é frita porque é chinela e é samba,
porque é chique doidim, porque é mendigão
porque é segunda à tarde e a tarde pede pés no chão e se o asfalto machuca o pés,
veste sua havaiana laranja psicodélica da cor dos olhos dele... e pisa.


daí sai pra rua com seu amigo, um dos ...
e vai cantando e fazendo uns sons com a boca
e sua língua rodando rápida como chicote nas costas dos nossos ouvidos
e sua dicção solitária em meio as outras todas pessoas...
na rua se tornando imperceptível.

daí os caras partem pra encontrarem um amigo em sua casa e os caras vão rindo e falando sobre tudo e sobre eles e elas e sobre o sol a chuva e sobre coisas que nunca haviam falado antes e sobre coisas que deveriam fazer e sobre as que já não se lembravam mais e riam juntos e foi pintando um som e criaram esse som e cantaram essa música que ainda não existia e de repente ...


a polícia os aborda


numa segundona à tarde perto da Acrópole, casa dos Deuses, onde o público messianico abriu oceanos. onde eles haviam passado dois dias antes envolvidos com música, cultura e afinidades. mas hoje eles eram suspeitos, muito mortais.


daí rolou a letra da música.


“Na favela suspeito é mato.”


a polícia não podia permitir aquela chinela de dedo laranja numa tarde de segunda-feira, é abuso demais ao statusquo vigente ...


_ Passa essa chinela de dedo laranja pra cá rapá... cadê, tem mais ? não me enrola hein.



...

possuir ou posso ir ?



no amor
há verbos intransigentes demais
tsc tsc tsc
como estes

possuir?
ou
posso ir?

agora com a nova reforma ortográfica do coração, com ph
as duas palavras se uniram
segundo os magistrados
nada mais significam
do que a mesma coisa...

ou seja

nada.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Festival JAMBOLADA




Festival Jambolada 2009
de 21 a 25 de Outubro
Uberlândia - MG


A 5ª edição do evento, em Uberlândia, é a primeira a unir artistas de 10 municípios estaduais. A cidade do município mineiro receberá 32 shows, entre os nomes mais consagrados estão Sepultura, Pato Fu e a carioca Maria Alcina, que encerrará o evento em parceria com o projeto Arte na Praça.

Além da música, o Jambolada 2009 abrigará uma maratona de atividades no primeiro Encontro Fora do Eixo Minas, coma a participação dos nove coletivos mineiros do Circuito Fora do Eixo.
Completam a programação o Jambo Literária, evento dedicado à literatura com a presença de escritores como Xico Sá, Rui Mascarenhas, Danislau Também e Alex Antunes; o Jambo Digital, com debates sobre a música, tecnologia e direito autoral; o Jambo Hip Hop, em parceria com a CUFA (Central Única das Favelas) de Uberlândia, envolvendo, entre outras ações, um campeonato de basquete de rua; o Cine Jambolão, com uma mostra da cena audiovisual independente; o Jambo Universitária, com programação dentro da Universidade Federal de Uberlândia (UFU); o Jambo Mix, uma feira de moda e cultura alternativa e o Jambo Verde, com ações de conscientização ambiental.
O Jambolada 2009 ainda servirá de espaço ao I Encontro dos Agentes Culturais de Uberlândia - para a criação do Fórum Municipal de Cultura - e receberá o Painel Música Minas, com participação das entidades que formam o Fórum da Música de Minas Gerais.

Local: Acrópole - Rua José Rezende, 4090, Custódio Pereira
Uberlândia - MG

Informações:
SEXTA-FEIRA - 23 DE OUTUBRO Local: Acrópole

Pato Fu (MG – Belo Horizonte) Black Drawing Chalks (GO)
Ophelia And The Tree (MG - Uberlândia)
DJ Tudo e a Garrafada (SP)
Devotos (PE)
U-Ganga (MG - Uberlândia)
Dissidente (MG – Uberlândia)
Snorks (MT)
Maldito Sudaka (MG - Uberlândia)
Seu Juvenal (MG - Uberaba)
Os Patto (MG - Araxá)
Soprones (MG – Montes Claros)
Waldi e Redson (GO)

SÁBADO - 24 DE OUTUBRO Local: Acrópole

Sepultura (MG – Belo Horizonte)
Canastra (RJ)
Porcas Borboletas (MG - Uberlândia)
Mini Box Lunar (AP)
Krow (MG - Uberlândia)
Dom Capaz (MG - Uberlândia)
Cérebro Eletrônico (SP)
4instrumental (MG - Sabará)
Mata Leão (MG - Uberlândia)
Johnny & Alfredo & Seus Neurônios Mongóis (MG - Uberlândia)
Erbert Richard (MG – Patos de Minas)
Cães do Cerrado (MG – Belo Horizonte)
Aura (MG - Divinópolis)

DOMINGO - 25 DE OUTUBRO Jambolada Especial Arte na Praça
Local: Praça Sérgio Pacheco

Maria Alcina (RJ)
Anelis Assumpção (SP)
Os Seminovos (MG - Uberlândia)
Graveola e o Lixo Polifônico (MG – Belo Horizonte)
Manolos Funk (MG - Vespasiano)
Cidadão Comum (MG – Ribeirão das Neves)
Programação Jambolada 2009 – (21 a 25 de outubro)

Quarta-feira 21/10

20 h – Coquetel de Abertura do Festival Jambolada 2009.
(Com agentes culturais da cidade)
Local: Muna


Quinta-feira 22/10

10 h – Encontro Fora do Eixo Minas
Local: Goma
Av. Floriano Peixoto, 12 - Centro

14 as 17 h – GT’s Fora do Eixo Minas
Local: Goma
Av. Floriano Peixoto, 12 - Centro

19 h – Painel Música Minas – Apresentação do Fórum Mineiro da Música
Local: Muna

20h30min h - Painel Conexão Vivo
Local: Muna

Sexta-feira 23/10

10 h – Gt´s Fora do Eixo Minas
Local: Goma

14 h – Jambo Debate – Os selos independentes e as novas formas de distribuição.
Local: Muna

Debatedores: Ná Figueredo (Newamazoniasmusic), Eduardo Garbo (Mais Brasil), Alessandro Carvalho (Valvulado Discos), Letz Spindola (Fora do Eixo Discos) e Bart (53HC).
Local: Muna

16 h - Jambo Digital – Debate: Direito autoral na Era Digital
Debatedores: Gustavo Aniteli (Movimento MPB – Música pra Baixar) e Daniela C. Souza (UBC - União Brasileira de Compositores)
Local: Muna

15 h – Jambo Verde – Palestra: Como trabalhar o impacto ambiental em eventos culturais.
Palestrante: Maíra Miller Ferrari (Especialista em Gestão Ambiental)
Local: Goma
Av. Floriano Peixoto, 12 – Centro

Sábado - 24/10

14 h - Jambo digital – Debate: Software livre e Cultura Digital
Debatedores: Rodrigo Savazoni (Cultura Digital) e Daniel Roviriego (Massa Coletiva – Rádio UFSCar)
Local: Muna

16h – Jambo Literária – Debate com Xico Sá, Ruy Mascarenhas, Danislau Também e Alex Antunes
Mediação: Robisson Sete
Local: Muna

14 h – Jambo Hip Hop – Debate: Frente Brasileira de Hip Hop
Debatedores: Linha Dura (CUFA – MT), Max (CUFA – DF) e Kakko (CUFA – UDIA)
Local: Goma
Av. Floriano Peixoto, 12 – Centro

Domingo - 25/10 – Arte na Praça

12h – Jambo Hip Hop – Campeonato Regional de Basquete de Rua com apresentação de Mc’s e B.boys

terça-feira, 13 de outubro de 2009

cruzeiro x atlético



um cruzeiro e atlético no interior de minas gerais
um clássico do futebol e da vida no interior de minas gerais

a cidade reunida em torno da tv num galpão na praça central
torcedores d'um lado e d'outro, juntos

cervejinha
uniformes antigos no peito
bicicletas destrancadas no corredor


cidade pequena numa segunda-feira de feriado
ainda por cima dia das crianças e elas todas soltas na praça
esperando o mundo que as vêem e as vai engolir

cidade pequena
no interior de minas gerais
no interior do brasil
numa segunda-feira de feriado
às cinco da tarde
depois que o sol esfriou
com o tempero do maior clássico do lugar

me sinto vivo demais envolto dessas pessoas ...

simples

todo o resto é uma ilusão

.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009






em montes claros, quatro horas e 40ª graus ...






.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

li
faz pouco mais de 4 horas,
meus poemas
para um público interressado
num auditório chamado hermes de paula
no centro da cidade de montes claros
na abertura do salão de poesia.
no meio do troço todo
pedi licença
e tirei meus sapatos e meias em respeito a terra onde nasci.
queria ler descalço
sentir o chão nos pés.
aroldo, o produtor do evento, havia dito
na fala de abertura
que era dia de são francisco de assis
então
nada mais coerente, pra mim
que sou devoto de santos e demônios
rezando cada hora p'rum,
do que refazer minhas oferendas humildemente
e andar com os pés descalços,
sob o céu
e
sobre o inferno,
do solo da terra que não me viu crescer ...
.

domingo, 4 de outubro de 2009

poema ritualístico sobre o amor fazendo as unhas envolto em sacos negros de lixo

antes

ele tinha os beijos dela ao acordar



agora

só o cachorro lhe lambe a boca


para dani lu
.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

pagodinho poema (medley ou pout pourri?)





Esse meu sorriso maroto é apenas a revelação do meu jeito moleque de ser. Pois se achou belo meu pagodinho, é porque com certeza você é nobre na harmonia do samba. E vê se só pra contrariar não some e aparece lá em casa, no fundo de quintal pra gente exaltar o samba.

Cadeado e eu, altos na casa dele às duas da matina, deu nisso.
Putz, na hora pareceu engraçado.

amor poema nº 2




O amor
esse indiscreto charmoso que atravessa a rua
continua sendo
dos males
o menor.

Coisa infernal negócio diabólico troço inexplicável

E quando te espero e você me espera

seja hoje amanhã ou quem sabe
continua sendo a mesma missa negra de nós dois
quem sabe um dia aprendamos a roubar a hóstia dessa sacristia... e beber

antes da cerimônia todo o vinho do padre carola
p'ra de manhã desenrolar nossos cabelos desse travesseiro
e amaciar com Confort cada minuto dos nossos dias.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Coletivo Literatura SUBSOLO








_ Que porra é essa !?








sexta-feira, 4 de setembro de 2009

23° Salão Nacional de Poesia em Montes Claros (MG)

Fui convidado a participar do 23° Salão Nacional de Poesia que acontecerá entre os dias 04 e 12 de outubro em Montes Claros (MG).



Além de ser a primeira festa literária que participo, será na minha terra, onde nasci, onde passei diversas férias, onde vi mulher pelada pela primeira vez, onde comecei a acreditar em mula sem cabeça e em saci pererê. Simbólico. Voltar às origens e corroer suas raízes.


O Salão acontece durante oito dias repletos de atividades, entre lançamento de livros, mesas, debates, leituras, exposições, exibições de curtas metragens e videospoéticos.


04 de outubro
DIA MUNICIPAL DA POESIA

Exposição dos poemas inscritos – Instalação de 04 a 12 de outubro
Local: Galeria Godofredo Guedes – Centro Cultural Hermes de Paula – Praça Dr. Chaves, 32 – Centro (Praça da Matriz)

20:00 h
Abertura do Psiu Poético

Lançamento dos livros:
Meu Sol é Você – Terezinha Campos
13 poemas ácidos no bolso da calça - Robisson Sete
O Colecionador de Poemas – Gessimar Gomes de Oliveira

Performances Poéticas:
Jason de Morais e seu berrante

Performance musical:
Poemas cantados – Madan
Catrumano – Banda Sofia

Local: Auditório Cândido Canela – Centro Cultural Hermes de Paula - Pça. Dr. Chaves, 32 – Centro - psiupoetico@gmail.com


nos vemos por aí ...


.

sábado, 29 de agosto de 2009

Poema Elétrico




Chegou em casa, excitado e suado.

Pegou na gaveta a Câmera Yashica.
Tirou uma foto digital da palma da sua própria mão.

Sentou na escrivaninha e ligou o laptop.
Abriu o Photoshop.

Precisava ao menos tentar urgentemente mudar, o que a cigana havia lhe dito sobre seu futuro, lendo as linhas da palma da sua mão.

Caro Sete


"Li, tomei e re-tomei os seus 13 poemas ácidos. E o resultado foi uma viagem realmente fantástica; e o melhor de tudo, "baseado" em ondas reais.


Graças a seus ácidos e o santo, destinatário comum de todos os tragos, deixou de ser um alcoólatra anônimo. Por isso, daqui pra frente, nas cotidianas bardisséias – que inevitavelmente começam pelo Verde –, os tragos destinados às entidades divinas já poderão ser remetidos nominalmente e, inclusive, embalados por trilha sonora.

Gostaria ainda de deixá-lo a par dos motivos de identificação pessoal com seu livro. Não sei se é do seu conhecimento, mas também fui contemplado pela lei de incentivo e lançarei um livro de contos este ano. PÁRA-RAIO DE LOUCOS é o nome, já o gênero, talvez, possa ser o realismo fantástico. De qualquer modo, algumas passagens de seu livro se encontram também mencionadas no meu, como, por exemplo: o diálogo no bar-verde com o seu Dercino; a menção à teoria dos macho alfa mais do baiano; e a “homenagem” ilustrada ao bar verde no seu livro frente à epígrafe posta do meu. Por isso, ao lê-lo, não pude deixar de me emocionar bastante, afinal, com tantas menções, quem sabe um dia não universalizemos a coisa.

Por fim, como não podia deixar de ser, já pincelei um de seus versos para fazer epígrafe a um de meus contos – que acontecia eu estar a escrever justamente no final de semana do lançamento dos 13 POEMAS. Por isso corro contra o tempo, na tentativa de registrar isoladamente esse conto para ver se ainda consigo inseri-lo no livro; mas, de qualquer modo, com ou sem a publicação imediata, havendo oportunidade lhe mostro em mãos.

No mais, deixo novamente os meus parabéns e convido-lhe para seguir o blog – pararaiodeloucos.blogspot.com – que estarei administrando a partir deste mês.

Forte abraço


Borboleta"



Meu Pai


Meu pai morreu numa noite de Natal 24 de dezembro
De motivo misterioso, coisa à época impossível de se evitar
E eu que nunca fui religioso passei a não dar valor nenhum ao dia de Natal

Uma lembrança

Missa de Sétimo Dia, exatamente na noite da Véspera de Ano Novo de 1997
Todos ansiosos pra que a Missa acabasse e pudessem sair
e comemorar menos um ano de suas vidas.

Ao final, sumiram como fumaça.
E eu que nunca fui humanista passei a não dar valor nenhum ao ser humano

Voltamos pra casa eu, meus irmãos e minha mãe, agora sem meu pai

Hoje umas coisas mudaram
continuo não acreditando na religião mas creio completamente no homem


Rezo todos os dias pra mim mesmo
Meu único dEUs


terça-feira, 25 de agosto de 2009

Clássicos empoeirados da minha estante

O bom e velho Tim Maia era doidão, era gordaço e era foda...
Ultimamente, tenho ouvido que a biografia do Nelson Motta é bem legal, que vale a pena ser lida... não é só aquelas "quem comeu quem".
Ela Partiu é realmente um clássico e me lembra uma epóca muito boa da vida.
República da Rua Planalto ... ê laiá.
.


Ela partiu
Partiu e nunca mais voltou
Ela sumiu, sumiu e nunca mais voltou
Se souberem onde ela está
Digam-me e vou lá buscá-la
Pelo menos telefone em seu nome
Me dê uma dica, uma pista, insista
Ei! e nunca mais voltou

Ela sumiu, sumiu e nunca mais voltou
Ela partiu, partiu
E nunca mais voltou
Se eu soubesse onde ela foi iria atrás
Mas não sei mais nem direção
Várias noites que eu não durmo
Um segundo
Estou cansado
Magoado exausto
E nunca mais voltou

Tim Maia

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

No Domingo 23 poemas ácidos no Jornal Correio

Poizé ...

O Jornal Correio fez um papo comigo, em função do lançamento dos poemas visuais e sobre outros assuntos.
Saiu na edição de ontem, domingo, quem quiser pode ler aqui ô...



Domingo 23
Jorge Ben Jor

Domingo 23, Domingo 23
É dia de Jorge
É dia dele passear
Dele passear
No seu cavalo branco
Pelo mundo prá ver
Como é que tá
De armadura e capa
Espada forjada em ouro
Gesto nobre
Olhar sereno
De cavaleiro, guerreiro justiceiro
Imbatível ao extremo
Assim é Jorge
E salve Jorge viva viva viva Jorge
Pois com sua sabedoria e coragem
Mostrou que com uma rosa
E o cantar de um passarinho
Nunca nesse mundo se está sozinho
E salve Jorge
E salve Jorge
Domingo 23, Domingo 23
É dia de Jorge
É dia dele passear
No seu cavalo branco
Pelo mundo prá ver
Como é que tá
De armadura e capa
Espada forjada em ouro
Gesto nobre
Olhar sereno
De cavaleiro, guerreiro justiceiro
Assim é Jorge
E salve Jorge viva viva viva Jorge
Pois com sua sabedoria e coragem
Mostrou que com uma rosa
E o cantar de um passarinho
Nunca nesse mundo se está sozinho

Beijos

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Série "poemas visuais de banheiro"

Em comemoração aos 2 anos do Hotel Sete, eu e a ArtAttack fizemos uma série de poemas visuais, como estes abaixo, que serão expostos nos banheiros da cidade, dos bares, rodoviárias, pardieiros e casas de família.

O lançamento será sexta 21 no Bar Saideira - Rua Princesa Izabel 816 Fundinho.





segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Dois anos de Hotel Sete.


daqui há alguns dias esse blog faz dois anos. sexta 21 de agosto.
pensei em dar uma festinha.
pensei em pular da ponte com a chave do cadeado de casa no bolso.
pensei em arregaçar as mangas e ir pra esquina fazer ponto.
pensei em mudar de nome e cidade, depois de fazer conta na casas bahia.
pensei em me indispor com o primeiro transeunte que pisar no meu pé na fila do terminal.
pensei em pedir ela pra casar.
pensei em beber uma coca cola.
pensei em adiantar minha declaração de imposto de renda
pensei em cancer de próstata.
pensei em você.

mas ainda estou em dúvida.

...

Clássicos empoeirados da minha estante


ando revirando minha coleção de discos, CD's, vinis e até minhas fitinhas dos anos 90, achando achados e reencontrando velhos conhecidos.
ouvindo o disco do Martinho da Vila, "Canta canta minha gente" de 74, topei com essa pêrola, orquestrada divinamente pelo George Martin do samba, o senhor Rildo Hora.
pra quem gosta de samba doido e pra quem não gosta, gostar...

PS. o Sérgio Cabral em questão não é atual o governador do Rio, mas sim seu papai, jornalista e boêmio bebum dos bons, um dos fundadores do Pasquim.
Salve !!!


Visgo de Jaca
Rildo Hora - Sergio Cabral

Já caçou bem-te-vi
Esqueceu do sofrê
É o diabo
Gaiolou curió
E calou o mainá
É o diabo

Segurou com o visgo da jaca
Cambaxirra, coleiro cantor
Tal e qual me prendeu a morena dendê
No amor...
São Francisco, amigo da mata
Justiceiro, viveiro quebrou
Mas não viu que a morena maltrata e me faz sofredor

Minha terra tem sapê, arueira
Onde canta o sabiá
E a morena quer me ver na poeira
E sem asa prá voar



tem nos iutubis e nas rádiosweb, caça lá com seu botoque

...

Sobre a Gripe Suína (ou Influenza A)

_ Eu lavo minhas mãos ...


Por Renato Cabral

o tempo ? que nada...

o tempo urge.
ouçam, vocês.

o som das mandíbulas estraçalhando os dias.


.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Não tenha medo, não! [Rua Moreira, 65]


Suje os pés na lama
E venha conversar comigo
Comigo
Chore, esqueça o drama
E venha aliviar
O amigo
Vem, não tenha medo
Não tenha medo
Não tenha medo, não
Vem, não tenha medo
Não tenha medo, não
Vem, não tenha medo
A barra está pesada
Vem, não tenha medo
A barra pode aliviar
As pessoas são uns lindos problemas
Eu posso até acreditar
Eu acho tudo isso uma grande piada
Ou então eu não posso achar
Não me espera pra beber seu veneno
E nem pra ver você chorar
Demoro o tempo que for necessário
Eu moro longe
Eu posso nem chegar
Demoro o tempo que for necessário
Eu moro longe
Eu posso não voltar
Demoro o tempo que for necessário
Eu moro longe
Eu pó...
Sérgio Sampaio
Álbum "Eu quero é botar meu bloco na rua"

segunda-feira, 3 de agosto de 2009







Sou um boxeador morto em combate


...

quinta-feira, 30 de julho de 2009

prosa e poesia

...

A força da palavra está na ponta da língua.

Há de se exercitar esse músculo saboroso, p’ra que nossa prosa seja espontânea, como o soco de um moleque de rua, na cara de um executivo dentro de seu carro, parado num sinaleiro da cidade de São Paulo.

E p'ra que nossa poesia seja gostosa e livre, como moça de 20 anos, de férias com amigas em Balneário Camburiú.

Contundente.
Inesperada.
E impossível de se evitar.

Faço dessas... minhas palavras.





Para
Maryllu Caixeta
e Helder Skelter Pepper Ding Ling

e decidam vocês
quem é quem, a prosa e a poesia


...

sexta-feira, 17 de julho de 2009

semana de artes no colégio museu

eu lendo e Leon fazendo o som

estive ontem, junto com Leon e Magrela no Colégio Estadual Uberlândia, vulgo Museu

li uns poemas para os estudantes à convite da professora, e minha amiga, Daiane ...

divertidíssimo ...

aconselho, a quem se interressar, um dia participar d'uma coisa assim...

aluno com os poemas no bolso



Fotos de Luana Magrela

quarta-feira, 15 de julho de 2009

bárbaros





Um bárbaro barbudo e errante.
Sob a flâmula, seu lema.


"Ocupar e conquistar
Devorar e digerir
Regurgitar e recriar"

Insistir ...


segunda-feira, 6 de julho de 2009

Assassinatos S/A


Assassinatos sob encomenda
AGORA VOCÊ NÃO PRECISA MAIS SUJAR SUAS MÃOS




Assassinatos sob diversas formas e estilos; com requintes de crueldade ou rápidos e indolores, com veneno, corda, arma, alturas, acidentes, lutas corporais.
Enfim, buscamos realizar seus desejos e interesses da melhor maneira.

Acima de tudo garantimos discrição, sigilo e eficiência.
Dispomos de profissionais do mais alto gabarito pra todas as situações.

Trabalhamos com todos os perfis econômicos e não fazemos distinção de raça ou classe social. Assassinamos desde animais de estimação a pessoas comuns. Celebridades, políticos, empresários e famosos são nossas especialidade.

Não exigimos motivos para o crime.

Planos promocionais, trazendo um amigo você ganha desconto. Pagamento em dinheiro.

Faça uma visita ao nosso show room e ao site
http://www.assassinatossea.com.br/, contatos somente pelo emeio assassinatos@sa.com.br




Não jogue este em vias públicas.



As imagens que ilustram esse texto são de Gil Vicente, contemporâneo artista pernambucano

domingo, 28 de junho de 2009



quando eu morrer; e esse dia vai chegar, será num dia como hoje.
disso eu tenho certeza...

.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

a cigana me disse




descobriu lendo as linhas das minhas mãos

realmente

bati muita punheta quando moleque

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Tá no Inferno, abraça o Diabo






Dias de caos
Dias de ritos

Sobe a serra e desce morro
Passa por Pasárgada sem tempo de dizer olá ...
Inventa poção milagrosa para aliviar o tédio.

Da sacada do seu prédio escreve poeminha sórdido sobre a bunda da colega de Tai Chi ... pensa ele - “muito zen essa menina!”

Depois de se infiltrar em operação sigilosa no norte da África dá adeus aos diamantes, leões e dentes de sabre
Já não sabe mais se é Vênus ou Plutão seu signo ascendente

Agradecido, envia cartas de despedida aos editores e agentes
Redige, delirante, seu testamento em boletas bancárias

“Contas, contas, quantas contas.”

Lamenta ter tirado seu nome do SPC e pago promisória ao Banco Central
Em represália, envia com as senhas nos versos, sua coleção de cartões de créditos ao alberque municipal
Sugere gastos ilimitados em grandes magazines do centro da cidade

Põe a roupa e se despede, cansado de andar pelado...

Passa por camelôs da 25 de Março, lhes entrega o último talão de cheque ...
Nos bolsos, lenços, nenhum documento e folhas de papel em branco.

O avião pra Andradina já o espera.
Se o encontrarem, pensa, será a morte na certa.
Melhor raspar das pontas dos dedos as impressões digitais.
Entra no primeiro butiquim que vê, e vai ao banheiro. Sai com as mãos enroladas em toalhas, sangrando.
Uma moça lhe pergunta se está tudo bem.
Ele lhe pergunta sobre sexo oral e qual sua opção predileta, na frente ou atrás.
Recebe um grito e quase um tapa, em resposta.

Enfim, se volta pra rua e pega um táxi dois quarteirões adiante.
Dele, ouvi dizer que se tornara peregrino em Alto Paraíso, vendendo as mesmas poções milagrosas que disse um dia ter criado.

Seu nome ainda corre nos bancos de praça de São Paulo, dito entre um causo e outro, pelos velhinhos que jogam dama.

_ Então Agenor, sua vez ... Escuta, e o Gutierrez hein? Nunca mais né.

Constantino Gutierrez, 57 anos, um dos maiores estelionatários e agiotas que se tem noticia ter existido, nesse exato momento lava suas mãos na água d’um riachinho, pensando se era verdade aquele papo de seu pai, peão de roça nos pampas paraguaios, sobre ser o crime algo que não compensa.


Foto de savipe http://www.flickr.com/photos/7707288@N06/488836995/

quinta-feira, 18 de junho de 2009

onde estão os 13 poemas ácidos...?





nas prateleiras desses lugares, atrás de caixas de OMO e caixas de SOM :


  • Bar Verde – atrás do Campus Santa Mônica
  • GOMA – Pça. da Bicota - Centro
  • UniMusic Stúdio - Av. Marcos de Freitas Costa 65
  • SEBO CD’s – Bernardo Guimarães 324
  • SEBO Maravilha – av. Floriano Peixoto 736
  • Bar Saideira - Av. Princesa Izabel 816 - Fundinho
  • Black Koi Tatto - Rua XV de Novembro 34-Centro
  • Bonsai Bar - Rua Bernardo Guimarães 84 - Centro

  • Colégio COC - Av. Belo Horizonte - Martins

  • Livraria Pró Século – Rua Quintino Bocaiúva 457
  • Livraria Despertar – Rua Machado de Assis 557

  • Revistaria da UFU – Bloco 3Q Campus Santa Mônica
  • Banca Universitária do Umuarama – UFU

Rogério Skylab disse


www.godardcity.blogspot.com

Em breve, novos pontos de venda, como os barzinhos da Av. Monsenhor Eduardo, o Posto da Matinha e o Cine It.


Abraços

REPASSE ESSA IDÉIA !


.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Sobre o lançamento dos 13 poemas ácidos ...


O que dizer ?
Quem lá esteve viu ...

Sábado 13 de junho de 2009
Dia pra mim, dos mais importantes da minha vida, pra ser guardado em vídeo áudio sensações e amizades ...
Dia de rock, de poesia carcomendo seus calcanhares, nada daquela poesia com gosto de hóstia de sacristia, ou seja, sem gosto ... amorfa, sem vibração sem intenção e sem intensidade. Tudo supremo.

Durante toda a noite, devorei a todos e a tudo, muito gostoso ... cada um cada uma cada página acorde e olhar ...

fim de semana ducaralho que tive, tivemos e ainda temos.
Redundância é pouco.


Antes de tudo agradeço aos que puseram o dedo, o pau, a bunda, a mão ou se atolaram inteiros junto comigo nessa empreitada de realizar a Vernissage e a Noite dos 13, trazendo pra os dois eventos o ROGÉRIO.

À vocês, parafraseando meu amigo Também, todas as flores do mundo sem colhê-las.

Em breve a cobertura de todo o lançamento sai em vídeo pelos YouTubes da vida;



  • a Vernissage na Casa da Cultura com os escritores lendo os 13 e suas obras,


  • a festa Noite dos 13 que rolou no GOMA,


  • psicopata performance de ‘plebeu’


  • e o show da Juanna Barbêra com a sensacional participação do ROGÉRIO SKYLAB.

Além da entrevista que o cara deu a WebTVGOMA; que eu não fui por estar completamente rouco.


Paciência, nada é perfeito.





ROGÉRIO SKYLAB é dos artistas, ao menos pra mim, mais importantes hoje no país. Sincero na sua verdade. Puro, insano e humilde. Entre tantas coisas das quais falamos; modernismo, semana de 22, torquato, leminski, fluminense, heleno de freitas, as melhores e piores bandas, os textos, as letras, a cidade de Uberlândia, a cena do Rio, a Globo, o Faustão, as mulheres ... ficou a amizade e a certeza que o cara volta logo.

É ... logo.


Pra conferir


http://godardcity.blogspot.com/,


onde ele cita toda essa movimentação da cena de bandas independentes do interior do país, como uma das coisas mais foda que ele vê hoje no panorama cultural do Brasil.

Enfim...


...

Eu mesmo lendo "Debaixo das rodas de um automóvel"


Os varais de poesia feitos por Diego Boina e Lauana Fidêncio


Rogerio Skylab lendo seu "Debaixo das rodas de um automóvel"

Robisson lendo seus "13 poemas ácidos ..."

O público e a noite

Rogerio Skylab lendo os "13 poemas ácidos ..."

Danislau Também


Lauana Fidêncio


Muryel de Zoppa


Samuel Giacomelli

Leon Aguiar


Diego Boina


Henrique V



Mariana Bizinotto

'plebeu'

Guilhermim Problema

Daiane Costa



Ricardim


Gustavo Mosaico

Ademir NadaBacana

Fabíola Benfica

Ana Clara & Mariana

os 13 poemas ácidos no bolso do "paletó"

Skylab, Daniel Testa e Walber Schwartz



Performance LIBERTAÇÃO de 'plebeu'
A banda JUANNA BARBÊRA promove sua arruaça







As fotos são de autoria de Luana Magrela, Marco Nagoa & Hick Duarte ...


.

sábado, 13 de junho de 2009

HOJE lançamento do livro 13 poemas ácidos no bolso da calça



LANÇAMENTO DO LIVRO



13 poemas ácidos no bolso da calça
Robisson Sete



SABADO 13 DE JUNHO DE 2009

20h VERNISSAGE
- Casa da Cultura Pça. Coronel Carneiro 89 –Centro
com a presença do músico e escritor ROGÉRIO SKYLAB (RJ) lendo trechos de seu livro DEBAIXO DAS RODAS DE UM AUTOMÓVEL. Além dos autores Danislau Também, Muryel de Zoppa, Lauana Fidêncio, Ju Nassar, Henrique V., Leon Aguiar, Mariana Bizinoto, Marcus Tulius, Samuel Giacomelli, dentre outros, realizando leituras poéticas e exibição de vídeos. Coquetel com bebidinhas e comidinhas. ENTRADA FRANCA

23h Noite dos 13 – GOMA – Av. Floriano Peixoto 12
Show Juanna Barbêra convida ROGÉRIO SKYLAB
Discotecagem Moita Mattos
Performance ‘plebeu’




Incentivo: Fundo Municipal de Incentivo à Cultura – Sec. de Cultura – PMU
Apoio: DiCult, GrupoTamboril, Coletivo Subsolo, Daniel Testa, CultBlog, GOMA

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Obrigado ...

Adaílton, Adauto, Ademir, Adoníle, Adreana, Adriana, Adriene, Aílson, Alberi, Alcides, Aldo, Alessandra Leles, Alessandro, Alexandre B2, Alexandre Baiano, Aline, Aline Góis, Amália, Amanda, Ana Beavers, Ana Zumpano, Ana Cristina Nika, Ana Flávia, Ana Marina, Ana Reis, Dona Antônia, Ana Paula Rios, André, Arlen, Dona Ângela, Arthur, Ateu, Augusto, Bambi, Bárbara, Bárbara Figueiredo, Beatriz, Benício, Bernardo, Biba, Birú, Boina, Bráulio, Breila, Bruno UniMusic, Buiati, Butterfly, Cadeado, Calina, Carlos, Carolina Caru, Carlinha, Carlos Tche, Castor, Camila, Caverna, Cecília Borges, Cesão, Clara Sá, Claudete, Cláudio Alberto, Chacal, Charles Chaim, Chelo, Chicão, Chico de Assis, Christian, Corvo, Cris, Custódio, Daiane Costa, Daiana Cuiabá, Daniel, Daniel Melo, Daniel Nomura, Daniel Sun, Daniel Testa, Danilo Corci, Danislau, Djardes, Seu Dercino, Diano, Didi, Dino, Divina, Dora, Dori, Douglas Duarte, Douglas Torres, Drielle, Dudu, Dyego, Ederval, Edinho, DJ Edinho, Ednardo, Edinan, Eduardo Warpechowski, Eliana, Elismar, Elmiro, Élson Felice, Emiliano, Eminéia, Fabinho, Fabíola, Fabrício, Fabrício Kid, Fabrício Nanuvi, Fernando Djahbuti, Fernando Duarte, Fernando Greco, Flavia Amaro, Flávio Citton, Flávio PCdoB, Flávio Sacy, Gabriel Bicho, Gabriel Bibi, Gabriel Félix, Gabriel Serafim, Gabriela, Genérico, Geninho, Geórgia, Geraldão, Geraldinho e Ana, Getúlio, Gláucio, Gleninho, Gleyson, Gilsykelly, Giovanni Ieminni, Grazi, Guarany, Guilherme Inácio, Gustavo, Gustavo Laranjo, Gustavo Vasquez, Helder Skelter, Henrique V, Hick, Homero, Hugo, Inaiã, Indara, Irley, Isa, Isaac, Ivan, Izildinha, Jack, Seu Jair, Jeymes, Jisa, João Batista, João Neto, João Paulo, Joca, Joel, Jonhy DeLarocca, Jota Cláudio, Joyce, Júlio César, Ju Nassar, Junia, Júnior Rosenwood, Jussara Brandão, Kaleb, Kaiapy, Kellen K, Kellinha, Laura, Lauana, Larissa Marques, Leandro, Leandro B2, Leandro Jardim, Leciane, Leon, Leon Bizinho, Leo Caverna Leo OP, Leonardo Henrique, Lílian Guedes, Lisandro, Ló, Lú de Laurentiz, Luana Bittar, Luana Magrela, Lucas, Lucas Paiva, Lucas Laender, Luciana, Luciano Ferreira, Luciano Sísifo, Lucio Rogério, Luís Ranna, Luis Rogério, Malaquias, Marcelão, Marcelo Banzai, Marcilene, Márcio Bonesso, Marcelo e Marcio Spaolonse, Marco Nagoa, Marco Túlio, Marcus Tulius, Mª José Torres, Mª Luiza, Mariana Gonçalves, Mário, Mário Lúcio, Mariel, Marília, Marisa, Dona Marisinha, Marquinho Geo, Marquinho U-Ganga, Mateus Mahamudra, Matheus Diniz, Mary Anne, Maryllu, Melquíades, Mércia, Seu Miltinho, Mirinha, Moita, Monique, Mosaico, Muryel, Museu, Nadine, Naíra, Nara Sbreebow, Natália, Natália Oliveira, Ney Hugo, Newton D’angelo, Nicolas Behr, Nivaldo Zoi, Noádia, Nogueira, Pácis, P. Capilé, Padero, Pancinha, Pará, Paula, Paulo, Patrícia Dominguez, Pedro, Pedro Paulo Nego, Philippe, Plebeu, Poliana Diniz, Polyana, Priscila Diniz, Priscila Koehler, Priscylla Leite, Pudim, PV, Rafa Rays, DjRafal, Rafael de Oliveira, Rafael Guarato, Rafael Sapão, Rafael Tannús, Ramon, Rangel, Raquel, Rayssa, Reinaldo Abdo, Reinaldo e Ronaldo BarVerde, Renata Damaso, Renata Alves, Ricardim, Ricardo, Seu Ricardo, Ricardo Abdala, Rita, Ritinha, Roberta Catarina, Roberta Dayrell, Rodrigo Biroska, Rodrigo Didi, Rodrigo Grilo, Rodrigo Guedes, Rodrigo Massari, Rodrigo Tigrilo, Rogério Macaco, Rogério Skylab, Ronaldo Sobreira, Profº Ronan, Ronan, Dona Rosângela, Rubão, Rui, Sandro, Samuca, Samuel Giacomelli, Serjão, Serginho, Sidvan, Sidvera, Simone Cuiabá, Sol, Stéfani, Suzane, Talles, Tassio, Telma, Thais, Thays, Thays Hayeck, Tiago, Thiago Carvalho, Thiago Própolis, Tom, Vacão, Valerinha, Vane, Vera, Victor Maciel, Vilza, Vinicin, Vinicius, Vitor, Vorjano, Walber Schwartz, Wanessa, Weber, Will e Taís, Willgman, Tio William, Woody, Yara, Seu Zé, Zé Wilson, Zuleida, Blogs Bar do Escritor e NaSelva (SP), CAS, COC, Coletivos Arte pela Arte e I?M, Cons. Mun. de Cultura, CultBlog, Editora Cativa (MT), Electra Tatoo, EmCômodos, ESCOMBRO, Festa Literária de Uberlândia, DCE UFU, GOMA, Grupo Tamboril, Oficina da Vida, Orç. Participativo, Rádio UFU, Sec. Mun. de Cultura, Zine Páginas Vazias, UFU e Coletivo Subsolo.
Obrigado

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Paixões

As paixões
são como as marés

umas vem, outras vão

e as praias
continuam, banhadas ao sol,
no seu mesmo lugar.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O Santo esquecido da camisa aberta



Conheci muita gente louca

Que pulou da ponte, que deu a bunda sem vaselina
Que fumou todos os móveis da casa e as bijuterias da mãe morta
Que se matou sem escrever o bilhete de despedida
Que amou demais e passou o resto da vida, vivendo pra beber

Daí outro dia alguém me disse sobre o Santo Esquecido
e eu imaginei coisa que já imaginaram;
o santo esquecido
padroeiro de toda essa gente louca

nome de taxista
carioca
sambista
noitada
coisa e tal

o Santo da Camisa Aberta

um santo moderno não pode ser vingativo
nem guardar rancor
arrogante mas sincero

tudo em dobro
ao meu ver

vivendo abraçado aos seios lindos da amada ou ao peito forte d’um rapaz

Reza pr’ele
enquanto

corre corrimento

sangra sua ferida

late mas não morde


E se é dividir pra conquistar
mas, conquistar o que ...

e se querer demais pode ser perder

então

quero mais é ficar juntinho



Amém... (abre as mãos e joga as contas no mar)



foto de pedro ladeira http://www.flickr.com/photos/pedroladeira/68133221/
um homem

à beira do abismo











seu corpo







escuridão




...



quinta-feira, 28 de maio de 2009

Juanna Barbêra lança "Deserto Sonora"





Local: Teatro Rondon Pacheco - Rua Santos Dumont, 517 Centro
Data : Sexta-feira - 29 de Maio de 2009
Horário : 20:00hs


Entrada Franca – adquira seu convite no local



A banda Juanna Barbêra, de Uberlândia-MG - região do Triângulo - é formada por quatro caras e duas garotas. Sem uma autodefinição musical e de estilo muito exata o grupo não se comprime em rótulos ou suas degenerações ao fazer sua música. Em suas composições preza pela ironia e sarcasmo, unidos ao peso instrumental, além de um detalhe visual muito presente em seus shows.


Guardando ainda um apelo pop o grupo aposta em ritmos inusitados, climas densos e baladas sujas com letras de veia poética e nonsense.


Seu primeiro CD, Deserto Sonora, foi gravado em Goiânia no RockLab Produções Fonográficas, com a produção musical de Gustavo Vasquez e Luis Maldonalle, através do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura de Uberlândia.


O disco Deserto Sonora apresenta ao público composições do grupo, iniciadas em 2006, uma coletânea de gêneros e inspirações musicais do sexteto. As influências são várias e o que se percebe é que o grupo traz ao seu rock’nroll, samba, baião, tango, blues, jazz, enfim... só ouvindo.

Escute as músicas da Juanna no site.





Hasta el Rock!!!



Juanna Barbêra


B. Valentinha - guitarra base
Coronel Leôncio - baixo
Dr. Thomaz Mara’kame - guitarra solo
Kid Sem Billy - bateria
Madame Lilly - vocal
Robisson Sete - vocal

Deserto Sonora


1- Deserto Sonora
2 - !Peligro, James Bong, Peligro!
3 - Fake Folk
4 - Aprendiz de Artista
5 - Num Covil dos Ratos
6 - Use USA
7 - Rosa com Z
8 - Uma Missa
9 - Tananã
10 - Blues Sweet Exüs
11 - Van Jorge Grogh


Foto: Marco Nagoa

segunda-feira, 11 de maio de 2009

a vida até parece uma festa

Ultimamente
[tenho levado minha diversão muito a sério.

Afinal
[se divertir não é nenhuma brincadeira.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Modernidade


há 723 anos atrás no interior da floresta profunda
índios ao entardecer, ritualisticamente,
cessam todo o trabalho que estiveram a fazer
[para contemplar o crepúsculo ...
ontem as 5:45 da tarde
eu atravessava a rua, imerso, preocupado com a prova
[de geometria.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

nos fios tensos ...


terça-feira, 5 de maio de 2009

os planetas e os satélites


compreendo

também não te desejo mal, muito pelo contrário
pensamentos bons sempre cercam sua pessoa em minha memória
você sempre foi sorriso certo

se cuide, se limpe, se ame

a gente
vai existir pra sempre
até quando o youtube acabar no fim do mundo,
um dos sons que irão ouvir ecoando no nada, serão nossas risadas
o vento levando aqueles nossos dias pra toda a humanidade já morta

bicho
não te desejo paz,
porque é coisa muito calminha,
tanto pra ti,
quanto pra mim e p'ruma pá de gente

talvez alguma harmonia
p'ra você, pra mim e p'ruma pá de gente
em nosso vigente caos

sexta-feira, 24 de abril de 2009

como é bom ser mulher

Sis dias abri bolsa de namorada pra procurar meu cigarro...
dei de cara com o recipiente negro brilhante.

Abri, era o pó de arroz.

Passei um pouco na cara e olhei no espelho pra sacar a diferença.

Depois joguei o troço na bolsa, poderoso, estalei os lábios e sai do carro ...

Me pareceu que nessas horas é muito bom ser mulher

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Viva Jorge !!!

" ... perseverança ganhou do sórdido fingimento e disso tudo nasceu o amor."
.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

uns amigos

Porque o céu é azul ?
[porque dEUs é mininho.
Leon Aguiar


"sabe

deu vontade de escrever uma palavra em latim na sua pele com pena de pavão e embebida em tinta de intoxicação deleitosa”

Danislau Também

segunda-feira, 6 de abril de 2009

a vida imita a arte


a vida anda mesmo imitando a arte. tenho provas !!! vi sis dias no concurso do Faustão, perdeu pros caras que imitavam o KISS.

enquanto a morte; aquela vedete, que diga-se de passagem, não imita ninguém, estava no outro canal, no quizshow de variedades.

ganhou de lavada.

o auditório foi ao delírio.


foto de andrea dias
http://www.flickr.com/photos/andreadias/322674343/

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A dose de Paracelso

...

quando a conheci vi que era sinônimo de
namorar.


Não desse namorar panaca dos seriados das cinco horas,
mas o fantástico namorar pra conquistar o mundo ...

juntos.

Mas faltava algo.


Daí, fiz anagramas na minha pele com teu nome até conseguir,
místico que sou, transformar como o alquimista,
as iniciais doses de veneno


_ "Ih", quem é esse cara ?


nesse sabor doce na boca


_ "Oh", te gosto muito, menino.


Misturando o caldeirão dos dias
fui bebericando a poção,
nosso chá alucinógeno

e

sentindo ainda a falta d’um tempero
pus de mim, a letra "r"

p’ra então

conjugar seu nome no infinit(o)ivo verbo


namorar.


Enfim tatuei; cravado na carne, o anagrama,
pra nunca esquecer
da fórmula química,
a receita de nós dois.


Epígrafe

Se a vida, essa aventura, é tarefa
pessoal e intransferível,
não passo minha senha a ninguém
e nem peço que guardem meu lugar na fila.


Acordo cedo e com colchonete, cobertor
madrugo, pra garantir um dos melhores lugares
.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

O Beijo


Não se beijem !!!
Voltem para as salas de aula e assistam aulas sobre a História das Carnificinas no Séc XX

Não se beijem !!!
Retornem às cadeiras dos confessionários e as catequeses dominicais

Não se beijem !!!
Apaguem os abajures antes de dormir e passem pra cá esse walkman

Não se beijem !!!
Decorem o quadro negro e enviem seus torpedos pra salvar o Uzberquistão... Yeaaahhhh (com o punho pra cima, quem é revolucionário põe a mão aqui)

Não se beijem !!!
Sentem apenas um do lado do outro, pois o beijo de vocês ofende, exala um cheiro desagradável. Como ferida purulenta nos lábios e odor de dentes moles e apodrecidos.

Não faz, definitivamente, bem a saúde dessa gente daqui !!!

Dentre todas essas possibilidades, fico na dúvida, sobre qual delas foi utilizada pela mulherguardinha da UFU, pra interpelar um jovem, bonito e, importantíssimo que se diga, singelo casal, formado por um rapaz mulato e uma mocinha magra, nova e branca, que namoravam, sentados, ela com a perna sobre a coxa dele, num banco de cimento no “chamado” Centro de Convivência do Campus Santa Mônica da Universidade Federal de Uberlândia no estado de Minas Gerais, hoje acerca das 3 da tarde, e que com naturalidade davam um beijo.

Qual foi o argumento pra interpelar e censurar o beijo ?

Não sei ...

Vai que com abraço não pode né ? Só bicotinha.

“Leremos o estatuto e estaremos solicitando um aparte”


Palhaçada !!!

Gente morrendo ao redor, e me censurando o beijo por aí ...

Preciso avistar esse casal e lhes perguntar exatamente qual o argumento, a segurança patrimonial feminina, usou pra lhes dizer que não se pode beijar

Ah se fosse comigo ...


Tenho receio de encontrá-los, o casal, e eles enfim me alertarem do que já sei.

Que o que dizem essas pessoas é ...

_ Não se beijem !!!

_ Por quê?

_ Porque NÃO.


grafite em Londres de autoria de Bansky, no site
http://lightyears.twoday.net/stories/3211351




terça-feira, 31 de março de 2009

Pertinência


Toda poesia deve ter pertinência.

Pois dilaceração, essa inquietude, é propriedade dos mal afamados,

dos que não se preocupam em dar o certo nó na gravata

e nem com o acender das luzes

[na saída do cinema ou crematório.


para Walber Schwartz

segunda-feira, 30 de março de 2009

A Seta

Mesmo namorando, e apaixonado por ela... sis dias, numa esquina flertei com outra.

Bati o olho e parei naquela figura esbelta, olhar ao céu, alça de bolsa vermelha trançada entre seios magros, e pensei em como ela deveria ser alto astral, sempre pra cima.

Mas a percebi um pouco desprotegida, um pouco insegura e ao me distanciar, olhando pra traz vi que um jovem já se aproximava e com o ombro a tocá-la, tirava do bolso o que me pareceu ser um maço de cigarros.

Deixei-os pra traz então, eu apontando ao céu minhas mãos, como ela.

Ela.

Que poderia ser ...

PS. Obrigado Boina pelo insight

foto de raylsooon no http://www.flickr.com/photos/raylson/3096884894/

Paula



Paula tinha em mente

que

paulatinamente

teria ela, outrora novamente,

sua rouca voz.


E que não mais temeria

o latir do cãozinho feroz

gritando, com o

pé na latrina rente ao muro;

“_ Socorro !” , aos seus avós.



(foto de A'Schneider http://www.flickr.com/photos/45657218@N00/2437084160/



domingo, 29 de março de 2009

Coração de bolso


Há mais de uma semana caminho pelas ruas da cidade com a mesma justa calça jeans e meus surrados sapatos de couro rasgado. Nos meus calcanhares, bem como em todo o corpo a pele anda grossa e espessa.

Venho não precisando de muito nem me contentado com pouco.

No caminho, encontrei algo que havia perdido, sentindo falta dos anéis, já que foram-se os dedos.

E apenas pra exercitar meus súbitos ímpetos, dias desses troquei em antiquário meu antigo relógio de bolso, presente de velhos parentes, por uma nova relíquia, um lustroso coração de bolso.

A meu ver foi jogo, pois além de marcar as horas, meu coração não atrasa e também bate calado.

(foto de Antônio Machado
http://www.flickr.com/photos/antoniomachado/2726259403/ )

quinta-feira, 26 de março de 2009

Licença poética cassada



Recebi uma carta sis dias, informando que minha licença poética foi cassada.

Foi abatida a tiros numa tardinha de sol pelos estetas da nova ordem, enquanto corria no Parque do Sabiá para manter o corpinho sarado.

Sua carcaça foi levada ao IML do Umuarama.

Devo comparecer o mais breve possível ao local para o reconhecimento do corpo, a fim de evitar que o cadáver seja utilizado pelos estudantes de Medicina em suas aulas de anatomia.

Caso contrário minha poesia será dissecada, servindo desumanamente às causas da humanidade.

Cura para impotência, mau hálito, dor de cotovelo.

Agora sem licença permaneço, mandando sinais de fumaça e mensagens em garrafas, escrevendo até que me encontrem em meu subterrâneo esconderijo e me alvejem com balas de açúcar candy e impropérios, sobre como escrevo mal.



(foto de TravelingMango http://www.flickr.com/photos/qchristopher/2214924797/

Amantes




Os amantes marcaram um duelo para o fim do dia
Ao pôr do sol se entrelaçariam para sempre

Ele trouxe rosas e um revólver
Ela, vinho e seus venenos

Entraram no restaurante de mãos dadas, como dissera o padreco, juntos até que a morte os separe
Sentaram numa mesa de canto, um de frente pro outro, pediram o prato de entrada, peixe, e se entreolharam, os três

Primeiro ela disse como o amava, depois como o traiu
Em seguida ele contou seus íntimos segredos e piores pesadelos e de como o tesão havia acabado

Enfim, silêncio

No carro trocaram de estação de Rádio várias vezes, até encontrarem uma música que não os lembrasse d’algo bom ou ruim

Indiferença e cicatrizes eram as palavras-chave da palavra cruzada de suas vidas
Já haviam se mudado, um pra longe do outro, há muito tempo

Em casa, ele pôs em cima da mesa as rosas n’água e engatilhou o revólver na própria cabeça enquanto ela bebia seu vinho tinto predileto e mexia com a colher de chá o resto do veneno no fundo do copo.

Se amavam demais, afinal.

(foto retirada do site http://www.contracampo.com.br/83/critamantesconstantes.htm

And... ando na corda bamba


Andando na corda bamba
o poeta
desafia a gravidade em peripécias para a multidão

No picadeiro iluminado
palmas

Abre uma garrafa de rum, dedilha suave seu violão

Uma flor lhe é atirada

Com os dedos do pé a pesca no ar, sorve o cheiro suave das pétalas e num brusco movimento a arremessa à boca, mastigando toda a rosa.

Te amo ...



Quando chegou, era muito calado
Tempo depois contou sua história
Passado uns dias já ria de si mesmo
Logo já atravessava a rua sozinho
Amou por muito tempo
Depois odiou a si próprio

Enquanto inventava deuses de plástico
pra amortecer sua queda
fez das cinzas do seu cigarro o vácuo da sua solidão

Disse outrora, ser mais profundo qualquer conversa de butiquim ao seu lado que as vãs filosofias das cadeiras universitárias
preferindo atravessar noites cheias de náusea pra inspirar transtorno e um cadiquim de caos

Quando morreu seu corpo foi cremado, seus ossos amontoados em barris de óleo e hoje sua fronte vistosa não incomoda mais

Descansa num rito mausoléu

Mas nas noitinhas de chuva, nas noitinhas de chuva ... ainda o escutam gritar

_ Meu bem !!! Meu anjo !!! Também te amo.

Poeminha de butiquim


Queijo derretido com orégano
vai bem com cervejinha gelada

Uns abraços de “Como vai”
uns beijos de “Quanto tempo”

_ “Mais uma chefia”
sempre combina com causos das antigas

Ver dia escurecer no fim da tarde
dá sempre vontade de fechar o bar mais tarde

Amigo que, pelo imprevisto, passa pela rua e se senta
_ "Pô bicho quanto tempo né. "

Mesa do lado com papo mais animado
dois casais e um amigo

Cada dia tem seu bar e vice-versa
tardes quentes sugerem bares com varandinhas e cadeiras de madeira,
que suam menos a bunda

Os dias de lindo pôr do sol requerem vista do horizonte
que sejam prédios ao redor, mas que o sol
adiante se ponha no nosso queixo

[com orégano

foto de Julio Magalhães
http://www.flickr.com/photos/juliomagalhaes/1460669716/


Carnaval


Ontem abri caminho na calçada do Bairro Santa Mônica pra uma menina negra, seu pai, mãe e irmãozinho
Calçada estreita, eu com as mãos nos bolsos e bolhas nos pés, simplesmente cambaleei pra rua, pro asfalto

Tempos atrás isso não aconteceria ...
Não dariam licença à família negra

Carnaval é alforria
Sobretudo, modo negro de pensar e existir.
Apropriação.

Na antiguidade era e foi, a festa dos excessos.
Trabalhe todo o ano e abuse nos dias de Carnaval.

Coma beba transe.
Agradeça a colheita.
Depois volte ao trabalho.

O cristianismo ainda por cima institui a quarentena, 40 dias sem carne, viva ou morta.

No fim do século 19 início do 20, o Brasil pôs na roda seu Carnaval, criou seus signos e símbolos.
Como o Carnaval é festa, necessita de euforia e ritmo,
então lá veio o samba na esteira.

Tá lá o negro pondo cabelo na frigideira e roubando os ovos do galinheiro da Sinhá.

Notícias Populares


Em tempos de reality show, foram esmiuçar a vida do poeta, e colheram os seguintes depoimentos.

seu melhor amigo: “um depravado, não o deixo chegar perto da minha família nos almoços de domingo.”

ex-namorada: “transa mal.”

colega de trabalho: “fala demais e faz pouco.”

transeunte na Praça Tubal Vilela: ”nunca ouvi falar.”

pelos cocos

Numa roda de cerveja num bar em algum lugar do país, o pai diz aos amigos apontando o filho;

_ Esse menino ô ... fiz pelos cocos.

segunda-feira, 23 de março de 2009

dEUs




meu

dEUs

existe dentro de mim

[& à minha volta & à minha volta & à minha volta &]

vice-versa


existo

EU
pequenino

dentro de

meu

DeuS



sexta-feira, 20 de março de 2009

.

"todo poeta
é um traficante de armas"


chacal



.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

o cerrado e o deserto

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o cerrado é errado ... ?


e o deserto, decerto é certo ?


.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Exame de sangue de Torquato Neto – protocolo 385838

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Ele fez uma transfusão de sangue anteontem.

Me contou.

No resultado do exame, disseram, havia “cacos de vidro, um metro de fio desencapado e poeira”. Encontraram “30% de descartável poesia, um litro de canções inacabadas, duas bitucas de cigarro e ainda um enorme nome indecifrável”. Sugeriram um “tratamento à base de fartas emoções, desencontros e humores alterados. Mudança de ares e alimentação a base de destilados”.

Sua internação foi imediata.

Uma junta médica logo foi chamada para avaliar o estado do corpo já em decomposição. A família foi indagada sobre a possibilidade da doação dos órgãos, afora o coração, já predestinado imprestável.

_ Doaremos, disseram, seus olhos e o lóbulo esquerdo do cérebro, onde guarda suas fantasias e inspirações.

Os médicos diagnosticaram, temperamento obsessivo e períodos de solidão. Indisposição crônica pra vida e grandes quantidades de vontade de viver, convivendo juntas. O nível de glicose e de THC era muito alto.

O hospital das clínicas solicita a demais poetas, amigos e aventureiros que socorram o paciente. Seu estado é gravíssimo.

Tragam sangue novo a este moribundo.

Esperando pelo pior, uma coroa de flores foi deixada no corredor do ambulatório, seu caixão minuciosamente espaçoso foi encomendado com as devidas considerações à cerca do tamanho do seu coração. Imensidão não é algo planejado pelos donos das funerárias e seus marceneiros.

Fez-se uma fila de antigos desconhecidos para vê-lo prostrado na maca, ligado por anfetaminas, tubos e flores nos cabelos. Uns traziam simples folhas de papel em branco, esperando receber um último verso, ou em delírio, uma procuração do enfermo lhes passando seus bens. A namorada, duas sobrinhas e suas pecaminosas memórias.
As enfermeiras se constrangiam ao lhe negarem cigarros, mas lhe afagavam os cabelos, e se entreolhando de soslaio, vez ou outra lhe ofertavam beijos na face rubra.

Jornalistas e biógrafos tentaram entrevistas, todas negadas.
Na TV, especiais e homenagens foram editados para celebrar o acontecimento fúnebre, relembrando ao grande público momentos importantes da sua vida, como quando fez cinco mil barquinhos de papel com seus poemas e os jogou no Tietê. Ou quando incendiou uma tonelada de dicionários por conta da nova lei ortográfica da língua portuguesa. Ou quando promoveu sua grande vernissage em banheiros públicos na oportunidade do lançamento de seu último livro, afirmando serem os mictórios os grandes confessionários da humanidade. O homem na merda. Todo um Globo Repórter foi realizado em sua homenagem, e no Rio de Janeiro duas Escolas de Samba disputam os direitos de cantarem em samba enredo as peripécias do poeta.

Clinicamente, seu quadro foi se agravando, os órgãos inchados e paralisados anunciavam o que todos previam. A comoção nacional aumentava. Praças em pequenos vilarejos sendo batizadas com seu nome. Feriados sendo instituídos nas cidades onde morou. Crianças ganhando seu nome por cartórios em todo o país. Livros didáticos e apostilas começam a ventilar seus poemas nas escolas. Amigos, ex-amantes e até mesmo filhos, começam a surgir, dando suas versões na imprensa sobre sua vida e cobrando seu legado. Uma instituição para artistas desamparados é fundada levando seu nome. No último Fla x Flu um minuto de silêncio é feito em sua homenagem.

Os dias se passam e a calamidade da sua situação piora. Sua morte já é anunciada.

Num dia, bem pela manhã, o poeta acorda, os olhos remelentos, e se lembra que não desligou o gás. Então arranca os tubos, se levanta levando nos cabelos flores, chuta a coroa fúnebre postada no corredor e beija na boca a mais bonita das enfermeiras. Acende um cigarro na falta dum bom baseado e corre, com a bunda de fora, pra pegar o ônibus 132.

O medico diz em entrevista:
_ Para os poetas, parece que as coisas são simples e outras bem complicadas.

Em seu apart-exílio, liga o gás, enfia a cabeça no forno e acende um último cigarro.

.

Ode aos Açougueiros

.


escrevi um poema sanguinário


chamei-o de “ode aos açougueiros”



já de cara, sem dó nem piedade fui lá e


cortei do poema a perna do p



mandei num envelope pardo a orelha do livro


pedi resgate



não lido, enfiei fundo a faca no coração do til


e vi a cedilha escorrendo sangrando na página



sobrou à minha frente na mesa de aço


um poema manco


[com o coracao


mutilado



.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

pequena hotelaria no interior de Minas Gerais

acordei me lembrando de que havia tido uma idéia fantástica durante o sono, num sonho e que nunca mais iria me lembrar dela.

pena.

dessa forma, sentindo já ao acordar, na ponta da língua já prejudicada pelo fumo excessivo, um gosto de perda, pisei com o pé direito pra equilibrar meu misticismo.
e me dei conta de que minha cama estando localizada no lado esquerdo do quarto, muito provavelmente eu acordaria, pisando todos os dias, com o pé esquerdo.

putz.

invadi o banheiro que não era meu, mas sim do dono do prédio, pois eu o pagava pra poder cagar e escovar meus dentes ao acordar de manhã ou a qualquer hora do dia, depois ter tido uma idéia fantástica durante o sono, num sonho.

eu alugava o apartamento.

como você sua casa e você seu carro.

agora, aquele outro já aluga uma puta. Direto, nos últimos tempos.

aquela outra aluga sua buceta.

...

quando encontrei meu amigo ele me pareceu bem malzão. Sabe. Disse a ele.

- se quiser ajudo cara, vem comigo.

- é pode ser uma boa.


coçando a testa.


- porque tu não ficou naquela outra.

- tem muitos carros lá fora, na rua. o barulho da cidade e o trânsito. o barulho do homem. a máquina. todas elas. as máquinas.

- sei.


já eram 10 horas.
hora de entrar no caixão. vampiro às avessas à cumprir compromisso de sonâmbulo.

Pegar um ônibus dum lugar ao outro é inigualável procissão.
Aceitar os papos, ouvir os silêncios. Muitos olhares e energias. Sempre h'a umas pessoas conhecidas e na maior parte do tempo gente que você nunca mais vai ver.
Pode acreditar.

Por isso prefiro os hotéis.
Neles há camas, chuveiros, sacadas e paga-se também.

E há ainda
uns mesmos outros conhecidos
e na maior parte do tempo a mesma gente que você também nunca mais vai ver.




...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Mate-me quem puder !!! Salve-se por favor !!!


Mate-me quem puder !!! Salve-se por favor !!!
BA MG !!!



tô voltando de Salvador ...
beijos
(Inspirado na biografia do poeta Odirlei Couto)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O pão que o diabo amassou ( eloqüente poema de protesto)

O pão que o diabo amassou, o diabo amassou de sacanagem conosco?

_ “Vai miserável, come essa merda agora ... hahahaha.”

Ou o diabo amassou porque não quis comê-lo, de tão ruim que era o danado, digo, o pão ?

Amassou por imprudência, por descuido na infernal mesa de café da manhã?

_ Ops, desculpe mamãe capeta, amassei o pãozinho com minha pata enferrujada.

Ou por revolta, contra o abuso que é o preço do pequeno francês?
.

Na falta d’um bom título ( outro eloqüente poema de protesto)

Me decidi

Já perdendo meu humanismo
Logo logo serei lacaio do sistema
Nada de chinelo havaiana

Me rendi ao capitalismo
Agora só sapato camurça de pêlo de ema
Ficar rico sem moralismo!
Amigos diriam.

_ Que pena. Perdeu o lirismo!

Segunda, dia ainda escuro, lá me vou

Mas desisti

Quando vi
a fila dava volta no quarteirão
Volto, então, depois do Carnaval pra vender a alma ao Diabo
Eita Inferno mais disputado
Parece o 132 na hora do almoço
Mas dizem que o salário é bom e tem ticket-refeição
Depois deixo meu curriculum pro danado, pro tinhoso
[com a devida carta de apresentação

Jovem próspero e sem um tostão requisita vaga em sua repartição para trabalhos de 6 horas, e que pague em dinheiro corrente. Já lhe avisa que é avesso a chibatadas e beliscões, mas se propõe a extorquir senhoras de idade, e velhinhos solteirões, bem como fazer galhofa e pilhéria da cara de crianças e anões.


Sem mais para o momento, se despede, usando rimas chulas todas terminadas em ão e promete não mais rimar, assim seja na puta que pariu bem como no quinto dos infernos.


E tenho dito...

meus amigos



meus amigos dormiram na rua e em bancos de praça
meus amigos se embebedaram por não terem aonde ir
meus amigos foram garçons, balconistas, entregadores de pizza
meus amigos me ligaram na alta madrugada acordando toda a casa
meus amigos viajaram de carona assoviando canções em postos de gasolina
meus amigos sorriram ao me encontrarem ao leu numa rua qualquer da cidade
meus amigos compuseram canções em bandas escreveram livros

mais

nunca
rezaram missa assim
nunca

mais

meus amigos perderam as finais do campeonato

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Amor Próprio

Amigo meu e eu nascemos um pro outro

Mamamos nestes longos anos nas negras tetas das sagradas vacas da indiscrição, da balburdia, do grito e da gargalhada

Devíamos, sim, escrever um poema a quatro mãos e em duas línguas

Cabelos se entrelaçando

Ele carinhando o dorso da palavra
Eu domando o som dos trovões brandindo meu cálice aos céus

Acreditamo-nos especiais
como todo carinha ou menina, velhote ou coroa, mamífero ou papagaio
deve se acreditar

Uns últimos românticos

Eu sou mais Jorge ele mais Cae

Já me pagou bebida, já lhe chamei pra escrever orelha
Nunca fui a sua casa, ele não visita a minha

Nossa amizade de amor fraterno e admiração, não se junta nas tardes do Faustão
Nos encontramos nos desencontros do acaso
Na intensidade da boêmia

Ele pai de família eu namorado eterno

Se “aqui não pode cantar”, pegamos nossos paus de chuva e rumamos para o Sul
lá não há ainda interventores e lanterninhas

Montou bandinha que deu certo, eu arrisco laraiás com meus grandes amigos

Um dia ainda
Um dia faremos nossa grande canção
Nada de mais, só música de amigos

Mas da mútua admiração vem o empecilho ao deleite, medinho bobo de quem encontra alguém que gosta

Uau !!!
Te gosto muito bicho

Vai remando que eu sopro as velas
Meu peito anda inflado, seguro essa onda
Vai contando casos e piadas sobre as Três Marias
nos distraindo pra sairmos das tormentas e chegarmos a nossa ilhota

Em nossa Pasárgada somos reis, e os súditos somos eu e você

Um beijo

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Jorge Ben

Jorge Ben,
um de meus herois
sem acento e todo erro
cada umas dessas 'e dum disco, vale a pena procurar e ouvir
#####################################
AS ROSAS ERAM TODAS AMARELAS

O adolescente, o ofendido, o jogador, o ladrão honrado
Todos sabiam
Mas ninguém falava, esperando a hora de dizer sorrindo

Que as rosas eram todas amarelas
Que as rosas eram todas amarelas
Que as rosas eram todas amarelas
Lendo um livro de um poeta da mitologia contemporânea

Sofisticado, senti que ele era
Pois morrendo de amor...
Renunciando em ser poeta dizia

“ ... basta eu saber que poderei viver sem escrever mas, com o direito de fazer quando quiser.”

Porque ele sabia, mas esperava a hora de escrever que as rosas ...
Que as rosas eram todas amarelas
Que as rosas eram todas amarelas
Que as rosas eram todas amarelas

o adolescente
o ofendido
o jogador
o ladrão honrado
Todos sabiam
Mas ninguém falava esperando a hora de dizer sorrindo
Que as rosas eram todas amarelas


PORQUE E PROIBIDO PISAR NA GRAMA

Acordei com uma vontade de saber como eu ia
E como ia meu mundoDescobri que além de ser um anjo eu tenho cinco inimigos
Preciso de uma casa para minha velhice
Porém preciso de dinheiro pra fazer investimentos
Preciso às vezes ser durãoPois eu sou muito sentimental, meu amor
Procuro falar com alguém que precise de alguém
Pra falar também
Preciso mandar um cartão postal para o exterior
Para o meu amigo Big Joney
Preciso falar com aquela menina de rosa
Pois preciso de inspiração
Preciso ver uma vitória do meu time
E, se for possível, vê-lo campeão
Preciso ter fé em Deus
E me cuidar e olhar minha família
Preciso de carinho, pois eu quero ser compreendido
Preciso saber que dia e hora ela passa por aqui
E se ela ainda gosta de mimPreciso saber urgentemente
Por que é proibido pisar na grama

VELHOS, FLORES CRIANCINHAS E CACHORROS

Deus todo poderoso eterno pai da luz, da luz
De onde provem todos bens e todos dons perfeitos
Imploro vossa misericórdia infinita, infinita
Deixai-me conhecer um pouco de vossa sabedoria eterna
Aquela que circunda o vosso trono
Que criou e fez que tudo faz e conserva tudo
Fazei-me digno enviando do céu prá mim prá mim
Imploro por vós e por Jesus Cristo, por Jesus Cristo
A pedra celestial angular miraculosa, miraculosa
Estabelecida por toda a eternidadeMaravilhosa, maravilhosa
Que comanda e reina convosco
Que comanda e reina convosco
Meu Deus todo poderoso
Meu Deus todo poderoso
Mas eu preciso salvar os velhos, eu preciso salvar as flores
Eu preciso salvar as criancinhas e os cachorros.

DESCOBRI QUE SOU UM ANJO

Não comigo não comigo nunca mais
As coisas agora vão mudar
Pois até um cego pode ver
Que eu não sou o que você diz
Por isso eu não vou mais
Curvar minha cabeça
E nem beijar os seus pés porque
Pois eu descobri que sou um anjo
Eu descobri que sou um anjo
Não comigo não comigo nunca mais
As coisas agora vão mudar
Mantenha distância
Quando eu voltar
Pois quando eu fui o caminho
Era só de pedras e espinhos
Mas na minha volta ele será
Estrela e rosas porque
Pois eu descobri que sou um anjo
Eu descobri que sou um anjo
Não comigo não comigo nunca mais
Mantenha distância
Quando eu voltar
Pois há muito tempo
Que meu amor por você acabou
Olhe não chore pois você chorando
Meu sentimento pode ficar
Com pena de você
E deixar até você gostar de mim
Por isso mantenha distância porque
Pois eu descobri que sou um anjo
Eu descobri que sou um anjo
Pois eu descobri que sou um anjo
Eu descobri que sou um anjo...
Eu descobri que sou um anjo

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Sinal dos tempos

Realmente ando ficando velho
Si fim de ano vi o especial do Roberto Carlos e juro que gostei dumas coisas


“Vivo condenado a fazer o que não quero
então bem comportado às vezes eu me desespero ...”


Admitir-se faz parte do auto conhecimento, diz o Budismo



feliz ano nove a todos

São Jorge terça-feira 23


Anteontem terça feira 23 de dezembro
atravessando a rua vi São Jorge montado em seu cavalo
parado no cruzamento da Afonso Pena com a Quintino

Olhos no horizonte
o guerreiro meio perdido estancou frente ao sinal vermelho

Intuitivamente havia de ter percebido
que não era momento de desafiar dragões de aço e ferro que soltavam
não das ventas mas sim das caudas que não tinham
negra fuligem

Sinal aberto, asfalto molhado pela chuvinha fina do verão de fim de ano
avançou entre os automóveis e os pedestres
sem causar furor ou mesmo consternação

Hoje ninguém se importa mais com santos. Qualquer oca celebridade os atrai.

Eu, de alma incendiada pela presença de tamanha entidade
me permiti segui-lo abandonando todas as compras, compromissos e horários
que tinha no centro da cidade

Quando teria a oportunidade de encontrá-lo daqui à eternidade
Da calçada puxei, gritei assunto

_ Ei São Jorge ... ei.
_ Diga rapaz.
_ Cara, um prazer te ver por aqui. O que pretende ?
_ Rapaz, procuro um endereço. Trago relíquias e oferendas da Capadócia.
_ Deixa ver.

Era o Camelódromo Central. São Jorge trazia amuletos e cartas pro chinês que vende tênis e que agora queria abrir uma lojinha de produtos religiosos.Puta globalização mesmo.

_ Te levo, bora lá meu velho.

Estacionamos o cavalo entre os mototaxistas e entramos.
Fiquei de lado e em respeito deixei os dois confabularem por um tempo.
Mesmo porque também não entendia o que diziam, uma mistura de chinês com língua morta.

_ E agora bicho. Já tem de ir ?
_ Não.
_ Legal então vamos dar um rolê. Pode ser ?
_ Sim.

Pensei rapidamente num roteiro bacana pro Santo na cidade de Uberlândia.
Então liguei pra namorada e comuniquei.

_ Pequena, hoje só amanhã. To com São Jorge aqui do meu lado e vamos tomar umas por aí...

No que ela, reticente envolvida às 3 horas da tarde com seu trabalho, nas vésperas do Natal, disse.

_ Tá tá, mas liga pra mim à noite, beijo.
_ Ok . Beijo me liga (piadinha pronta)

Austero, São Jorge não é de falar muito. E eu, devoto cúmplice que sou do alheio silêncio, compactuei com sua discrição.

_ São Jorge meu cumpadre, pena hoje ser dia de chuva, senão nosso passeio começaria pela cachoeira de Sucupira. Coisa linda é o lugar.
_ Ora rapaz não se incomode com o tempo nublado. Diga o caminho.

Meio a contragosto dei o rumo já imaginando a água fria que enfrentaríamos.

Ao pegarmos a rodovia o galope do cavalo riscava de faíscas o asfalto como cobras luminosas ziquezaqueando.
Nos cabelos um vento lindo e todos os carros sendo deixados para traz.
Qual 4x4 seria compatível com a velocidade divina?
Os motoristas com suas famílias, mulheres e crianças batiam a mão pra nós em cumprimento.

Na mesa da ceia de Natal, contariam aos familiares, descrentes, entre uma e outra história.

_ ... e tem mais, nem te conto. São Jorge com um cabeludo na garupa nos cortou perto de Uberlândia. Os meninos estavam dormindo e quando sacudi a Marisa eles já tinham sumido como um raio, é verdade, é verdade...

Para minha surpresa o céu nublado começou a abrir e o sol foi surgindo quente, dando motivo pra ir tirando a camisa. O velho Jorge em sua armadura nem se abalava com o mormaço.

Chegamos à Cachoeira de Sucupira, deserta como deve ser numa terça feira, sua água maravilhosamente brilhante refletindo a luz do sol.
Eu lá me fui dar um mergulho, enquanto São Jorge retirava suas armaduras, mantos e armas.
O cavalo, quieto ao nosso lado, bebia uns goles com muita sede.

São Jorge aparentava uns 50 anos, tinha o corpo forte e cheio de cicatrizes, que preferi não esmiuçar as origens. Nadava bem e logo para meu espanto estava saltando do topo da queda, uns 15 metros no mínimo.

Tchbum !!!
Pela primeira vez o vi sorrir naquele dia.

Nos vestimos e ao irmos embora pediu um minuto. Pensei que o cara ia mijar. Mas não. Atravessou os arbustos e se ajoelhou sobre uma oferenda com duas velas e algumas frutas que alguém havia deixado. Ficou assim por um tempo e depois retornou. Não me dispus a lhe perguntar porque do tal procedimento. Consenti e compreendi que era tarefa e trabalho de santo.

_ Bom agora vamos lá em casa, quero te aplicar um som. Tudo bem ?_ Claro._ Depois vamos num bar perto da Universidade tomar umas. Vou te apresentar pruns amigos que são todos teus fãs.

Ao chegarmos em minha casa, o cavalo não podia, obviamente, entrar. Então o amarramos num poste no terreno baldio da esquina. Ao abrir o portão e passar a chave na porta da sala, me dei conta de que havia um santo em minha casa.

_ Quer um café ? – coisa mais besta de dizer prum santo._ Não.

Liguei o computador. Selecionei o som e equalizei as caixas Satellite.Olhei pro lado e esperei, ainda sim, não esperando absolutamente nada.A música veio como sempre, fantástica.

_ Jorge de Capadócia do disco Solta o Pavão de 1975 do Jorge ainda Ben.
_ É issaí.
_ Tenho todos os Jorge Ben. Deixa o Jorge Ben de lado Robisson. Já conheço tudo. Me surpreenda rapaz. – disse isso se levantando e olhando minha coleção de discos e meus livros na prateleira.

Rolei a lista de reprodução de Jazz.Começou com Charles Mingus estraçalhando em “Moanin”.Bolei um baseado e fumamos, eu e São Jorge, vendo a fumaça subir pelo ar pra fora do quarto pela janela.

Era engraçado como nos entendíamos em silêncio.

Li uns poemas meus que ele parece ter gostado muito. E contei sobre meus planos mirabolantes pra minha vida e de como pretendo lançar meu livro. Obviamente fiz questão de sua presença e o convidei pro lançamento.
Depois de um bom tempo com Charlie Parker, Thelonius e uns outros, decidimos seguir caminho ambos com os olhos vermelhos.

Ao chegarmos ao Bar Verde, havia uma confraria de amigos e conhecidos espalhados pelas mesas, coisa pra mim inacreditável por ser praticamente férias da faculdade.
Acreditei, arrogante, ser um sinal do destino ao reunir tantas almas em torno do que viria a ser o encontro de suas vidas.

São Jorge se sentou e pedimos uma cerveja, uma dose e uma porção de queijo com orégano. Eram 6 horas da tarde e o sol se preparava pra se pôr. Friozinho. Fim de tarde na companhia de São Jorge. Quem acreditaria.O santo, agora mais à vontade, falava sobre guerras e batalhas em terras longínquas e de como havia se tornado o padroeiro da Inglaterra.

_ Mas depois das Malvinas, da Thatcher e agora o Blair e essa merda toda de Afeganistão, desisti daquele povo.

Fazia sentido. Muito sentido. Até porque a Igreja Católica já o havia expurgado do rol oficial dos santos há algum tempo. Hoje São Jorge é um santo rebelde, sobrevive através da fé e da tradição e não deve obrigações nem pede autorização ao Vaticano para o que quer que seja. Bebemos em sua homenagem, mais um marginal a nos abraçar.

Ficamos realmente altos e felizes depois de umas cervejas e doses da boa pinga de engenho. Umas moças se engraçaram com São Jorge, que retribuiu os agrados oferecendo ao violão bonita canção medieval do norte da Capadócia.Disseram elas, ser ele, o macho alfa da nossa mesa, eram biólogas perdidas no Campus Santa Mônica. Querendo um pouco mais de diversão nas suas vidas.

Às 9 da noite decidimos ir embora. O Bar Verde sempre fecha a estas horas, pois o Bairro Progresso, apesar do nome, é perigoso durante a noite. É um antigo loteamento incrustado no hoje mais populoso bairro da cidade, o Santa Mônica. E os donos, Reinaldo e Ronaldo, às 7 da manhã estão de portas abertas. Além do que o Verde mais do que um bar é uma mercearia, ou “Venda”, como diria minha Vó , em que você encontra de tudo. De tudo mesmo, até santos vivos.

Nos despedimos dos amigos entre gargalhadas e abraços e seguimos, os dois caminhando sob uma chuvinha fina, levando pelas rédeas o cavalo.

_ E agora vai pra casa?
_ Sim.
_ Aonde anda morando? Rola uma visita?
_ Você não conseguiria chegar lá.
_ Sei.

_ E você vai pra tua casa?
_ Sim.
_ Te deixo lá sobe aí.
_ Não. Não precisa. Caminhar na chuva é dos meus esportes prediletos.
_ Também gosto. De onde eu venho não chove muito.
_ Então vamos indo.
_ Volto na próxima terça feira 23.
_ É mesmo? Vou olhar na folhinha pra sacar quando será.
_ É em Julho. Antes que eu me esqueça, toma pra você.

Uma medalha e um escapulário.

Estava escrito em letrinhas miúdas; “perseverança ganhou do sórdido fingimento e disso tudo nasceu o amor”.

_ Até nossa próxima terça feira 23, Robisson.
_ Até.


quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Coração Mofado

Encontrei arrumando o quarto sis dias uma caixinha empoeirada
que há muito não via

como num filme, se consumou o flashback e lembrei

do momento fatídico quando arranquei do peito sangrando
o coração em desuso
e permaneci tristonho por alguns minutos pensando se o comia;
autofagia desesperada
ou se o doava ao Hospital das Clínicas

ponderei e preferi não fazer ninguém mais sofrer
então guardei na primeira caixa de papelão que vi pela frente
pois como diz o Edu Guedes
aquele cara do programa de culinária na TV

_ Na cozinha, como no peito, devem-se evitar utensílios que não tenham funções e só ocupem espaço

e agora lá estava ele, meu coração mofado
ouvi que ainda batia baixinho

então

sem pestanejar o pus no tórax novamente
seu devido lugar
e respirei o ar inflado
sentindo de novo um brilho no olhar

daí saí pra ver o dia
a vida
e decidi nunca mais arrancar

meu coração

seja por livre arbítrio
ou por decepção

.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Poema (?) de teor pessoal pra nunca ser publicado



toda uma ala do segundo andar do Hotel, si fim de semana promoveu uma grande festa em nome dum artista, algum de vanguarda, como dizem em Paris
muita bebida e destilados

a balbúrdia aconteceu no quarto que dá pros fundos, então a música tava no talo

Rssssss

nessa noite eu tomei conhecimento do Pata de Elefante
aliás a essa altura muito louco de Gyn
amigo que sou do proprietário do apartamento pedi uma cópia, no que ele já fez saltar no mequintochi

_ Leva ... gravei uns Cream e Yarbirds também

Eita !!!

Pata de Elefante é, ou vem sendo nos últimos dias, o som dos corredores desse pardieiro

solto no shuflle e leio poesia, deitado nu

Vou morrer logo logo ao acordar
Minha sobrinhazinha diria

Loguin titi ?

Ahhh dá vontade de chorar



Mas ainda resta tempo para escrever um conto chamado Empire Vampire sobre uma organização de vampiros que caça os últimos humanos e os aprisionam até serem negociados, vendidos pra serem devorados

Sem muito personagem principal, enredo abrangente sobre o enfoque da situação do universo apresentado

Achei a idéia boa

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Qual é o nome disso ???


dei sopa pro azar
e
fui condenado a viver com um demônio nas costas.

pra sempre será

eu e ele

a lutar nas noitinhas
_ Oh !!! Valha-me dEUs ...
.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Auto ajuda (enquanto espero)


Ser solitário é querer fumar um cigarro quando não te sobra mais nada e lady stardust e rocknroll suicide cortando teus pulsos e o ar, daqui até a eternidade, cercado de trinta milhões de pessoas.

Lembrar d’alguém, lembrar com força, sentir com vontade, não se importar em parecer patético ou comovente.

Olhar de verdade nos olhos, ter do que se envergonhar.
Ser instintivo ter premonições.
Suar sentado no banco de passageiros..
Agir antes do despenhadeiro.
Evitar a queda.
Levitar.

Tocar o ombro amigo.
Sorrir ao ser cumprimentado.
Nada de balbuciar falar baixinho.
Dizer gritar.
Cada palavra cada pedaço de sílaba sangrando na boca, mastigar seus dentes e íntimos sentimentos
Cuspir e jogar fora.
Expurgo e dor.

Dói.

Ser místico
ser mais relapso
ser intenso
ser só e emanar seu santo
beber da água dos prazeres e limpar suas feridas
lentamente

Ter amigos sempre cura dores

Imersão




Dez mil soldados atravessando os canais de Amsterdam
Marchando solenes sobre as terras encharcadas
Bons, maus, tolos e inocentes

Nos olhos
a transição entre as trevas e a iluminação
nos domínios secretos
do seu coração

Preferir percorrer com destreza as agruras dos dias
à fugir da alma e suas impurezas

Verdade imersa na solidão de cada homem
Incólume e sozinho
Percorrendo trilhas de fumaça, sal, sol e sangue

Vencendo seu diário dragão, passo a passo pra fora do abismo e da escuridão



.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

As barras das calças



As barras das minhas calças não me deixam mentir dos lugares onde andei

Escritos em laminha fina todos os bares, boates, butiquins e biroscas além das casas dos amigos e das ruas

Grafado em grandes carimbos as salas de aula, os escritórios, auditórios, repartições e subseções que já freqüentei

Nos calcanhares, os tropeções e as correrias

os passos bem dados

e os além do abismo
As barras das calças não o deixam mentir dos lugares onde andou

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Acaso, caos e coincidências


Acredito em coincidências.
Acredito em acaso. Em instinto.
Meu Deus também joga dados, mas também sai às vezes pra dar um rolê.
Deixa o tabuleiro à mercê das crianças.

Acredito em premonições e no poder intuitivo.
Acredito no que dizem os arrepios na espinha. Creio em dejä vus.
Tento sempre que me lembro, decifrar meus próprios sonhos.
E os dos outros também.

Leio horóscopos.
Freqüento centros de candomblé.
Participo de reuniões de médiuns e videntes. Como biscoitinhos da sorte.
Peço a ciganas q leiam minhas mãos, as duas, pra que não restem dúvidas.

Sento sempre q posso
No centro da cidade na hora do rush
Tentando observar o acaso agindo sobre nossas vidas.
Um encontro inusitado. Uma batida de carro. Um ônibus q se perde.

Daí me permito seguir pessoas e descobrir o que o acaso lhes reservou.

Mania estranha né ?

Poizé... Melhor q roubar chocolate Bis nas Lojas Americanas, igual fazia quando estudava no Bueno.


Acredito que algumas coisas não são à toa. E outras acontecem e servem ou se utilizam, como q sendo antenas do subconsciente, pescando o pensamento coletivo.

Crash da bolsa, presidente americano negro e descendente de muçulmanos, as historinhas da Mônica agora são adolescentes, começo a ficar barrigudo, meu joelho dói, minha banda lança disco, eu lanço livro e a chuva se aproxima no horizonte.

Alguma coisa isso tudo deve ter ...

Tempo maluco esse em que vivemos.
Mas sempre foi assim, é como dizia acho que Dickens “... a mais maravilhosa época do homem, é a em que se vive”.

Meio obvio né Charlie ... mas tudo bem.

É ou seria presunção, adivinhar o futuro. Dizer isso ou aquilo.
Não me cabe ...

Do futuro pouco se sabe.
Sei q fim de semana tem ensaio, futebolzinho na sexta com os brothers, festinha no sábado.

Aliás festança né...

Do futuro pouco sei.
Sobre mim mesmo, ainda ando lendo a bula.
Mas estoy muy curioso sobre o que me guarda, esse maldito futuro.

Pra mim e pra nós

Pra vocês e pros outros

Pra eu e você

Pra ela


Pois bem ... nós vemos então qualquer dia desses

no futuro

.

Coluna No Bolso da Calça



No Cult Blog ( http://www.cultblog.com.br/Robisson.html )a coluna “No bolso da calça...”.

Além de meus poemas, música e cultura pop. Tudo regado a caipirinha e queijo com orégano. A primeira porção já ta lá “She’s Leaving Home – o poema” que também está cá embaixo.

O CultBlog é um dos site culturais mais interessantes de Uberlândia, através dele você fica por dentro de muita coisa que acontece por aqui.

No mais, a Juanna Barbêra contrabandeou duas faixas do seu disco “Deserto Sonora” e tascou no myspace da banda

São “Van Jorge Grogh” e “Missa Branca”

E o Hotel Sete continua aqui até q o derrubem pra construir um estacionamento no centro da cidade.
.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

She’s Leaving Home – o poema





Ela foi-se embora
Saiu de casa sem se despedir e pegou suas roupas e coisas
De carona com a cigarra
Sacrifício supremo de donzela
Foi-se a vencer seu diário dragão
Na noite da derradeira desculpa

E não muito longe dali
Nas arquibancadas de mármore a plebe vibra
Brindam nas tribunas elegantes arquiduques e suas concubinas
A orgia que insurgente faz-se em vir
Lá fora, além das muralhas, ouve-se o estrondo poderoso da multidão em êxtase e regozijo

E entram os leões no estádio
Em silêncio
Suas patas, agora doloridas pisam a terra fofa, levantando poeira
Cintilantes e sombrias as feras observam os olhares
Nenhum rugido
Apenas ódio e fome

Em seguida adentram por um oposto portão, as ninfas
carne nua
alimento escondido sob a seda

Esperávamos agora vê-las devorar seus brutos chacais

E fez-se a festa

O duelo travado é inimaginável
Findado o embate, com seus ventres e úteros sangrando
Arrastam-se, os demônios fêmeas

Ao redor da arena o vento dedilha os estandartes das bandeiras dos reinos envolvidos
Seus reis e rainhas de olhos brilhantes se entreolham duvidando do que vêem

Num estrondo os portões são arrombados e a multidão invade o picadeiro

Numa onda efervescente a massa humana engole as ninfas

O mau cheiro é tremendo, carne putrefata e fezes no ar
D’alguma maneira um incêndio se inicia na ala esquerda dos camarotes
Correria e pessoas sendo pisoteadas
Salve-se quem puder Deus está morto

A César o que é de César
Alguém crava um punhal nas costas de Petrônio
Roma pega fogo
E eu acendo meu cigarro nas cinzas desta noite de neblina e continuo a caminhar me acreditando são e salvo

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Carta de despedida a meu amigo Sexta-Feira

eu à deriva
fazendo barquinhos de papel nas mãos
solto-os na enxurrada ? ou não

repasso passo a passo minha escapada da ilha em que me encontro
tem de ser lua nova, maré baixa
e que os chacais não me vejam ou sintam meu cheiro
é ...

ando perdidão da silva
moço, como chama essa rua de minha vida ?
nessa esquina lembro que bebi um dia com amigos outros com amantes
dess’outra me vêm à mente noite que larguei amiga despúes de festa
enfim soltar seu corpo finalmente no ar, mas não pular de prédio
corpo solto na horizontal
deixar tuas pernas te levarem pra onde quiser
pra isso, precisa de disposição e paciência
há muitos lugares aonde ir
e
levar os devidos mantimentos
e
nunca deixar o mais belo sorriso no rosto em casa

pois coisa tão preciosa não há
portanto entregá-lo a qualquer

... é desatenção

tesouro escondido
gengivas, salivas e próteses dentárias
vencendo guerras
meu precisar vem de pressentir
vem de supor
de imaginar
decifrar e devorar
não do pressentir objeto
real tátil
supor nas entrelinhas
invadir imaginários
existir inconsciente

no meu barco naufragado meu avião envia sinais de mayday

queria hoje ser outro
ser Jorge, Marcos, Eliseu
ser você
chega de tanto ser eu

cansei das corcovas nas minhas costas
e do gosto salgado do mar dessa minha ilha

abracos amigos

beijinho meu bem

lá me vou para o continente


quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Bob Dylan


quem vai dizer?

um ídolo, uma crença, religião pop, inconsciente coletivo


rolando na grama

contando
descortinando

“segredos que todos já sabem

ou se não sabem desconfiam”

dono de alto nível de comunicação


antena

ou caia fora

(suspiro)

ehhhhhhhhh...
eu aqui agora declaro confissão

coisa pra ser delicada
escrita toda em letra minúscula

pequena rezinha
eu assim rezando baixinho na página ao santo de óculos escuros
ajoelhado em frente ao computador
meu pequeno oratório
peço:

diz pra mim
qualé mermão ?

é pra ler baixinho
perceber as letras pequeninas em respeito

normal times new roman 12 75% Word 2007

falar pouco e sorrir

celebração



depois fumar um cigarro
exausto



e depois ligar todas as caixas de som do quarteirão

criamos a partir de agora
o momento Bob Dylan em todos os lares do mundo

escolho o dia 18 de agosto
porque foi sis dias
ta fácil lembrar

2: 23 da tarde
sob o sol de terça feira

ninguém é obrigado mas o convite tá feito

esse tipo de coisa não é oficial
não passa pelas câmaras municipais ou comissões intersetoriais
não é discutido em seminários nos cursos de humanas
não é lei
não é facultativo
não dá dois dias de folga no serviço
não sorteia carro nem é na sessão de descarrego

existe dentro de nós

dentro de todo o universo que cerca a criação artística
e por mais desregrada
que a obra seja

ainda é a coerência
mesmo em meio ao aparente caos
que serve de mola motriz

a coerência é o costume
maior entrega do artista ao mundo

o artista mais violento e ultrajante
aos olhos sociais

tem um milhão de motivos a mais do que qualquer lacaio

pra estar vivo

não que eu seja algum fascista ás avessas,
contra o que quer que seja
contra os lacaios ou qualquer outro grupo social
da elite ou do desbunde

contra nada nem ninguém
quase sempre a favor

por isso não me diga que

não

pois há

sim,

motivos pra estar

vivo

porque afinal

eu
não
estava lá

...

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Sine qua non

Pequeno demônio na cabeceira de minha cama
me avisa pra ir com calma

Não ser afobado e não trocar os pés pelas mãos

Ir de encontro ao seu céu
Já não há mais tempo pra dizer adeus

Ou mesmo olá

Toda a sabedoria popular avisa que dois corpos
não ocupam o mesmo espaço

Cabe saber portanto, e então,
que não se ama duas pessoas ao mesmo tempo

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Éramos negrões fudidos e oprimidos do Sul dos Estados Unidos em 1920




Gravar um disco mais que escrever um livro, é único e fugaz
O livro tá na cuca, na imaginação
As palavras grafadas pra sempre no papel

E ninguém a não ser você as lê
interpreta
imagina
decifra e cria
tudo no silêncio, no livro o silêncio é a única coisa que existiu

sabe como é

Agora a música tá na fala, na boca, na voz
Tá viva do teu lado te roçando os calcanhares
Gravou uma vez, é aquilo

E aí já era

19 e 20 de julho de 2008

dias de
nossas vidas
daqui a eternidade
dos mais importantes

vou guardar a camiseta amarela toda furada que usei
como troféu
guardá-la como torcedor apaixonado que pega em meio à multidão, na derrota por goleada pro rival, a luva do goleiro peruzeiro
e que pensa caminhando para casa, fazendo figa e apertando o amuleto

_ Próxima rodada vamos ganhar !!!

No estúdio, umas horas a música sangrava um pouquinho

Ia lá e ...
água borricada mertiolate assoprava e continuava

apagava as luzes na cabeça e via toda a minha vida

o que fiz e o que quero fazer

madrugada, bar, cigarro, samba, cervejas, beijo, drogas, amigos, encontros despedidas, rodoviária, ônibus, táxi, prostitutas, hotel, estúdio, banho, cama, sono

sonho nº 1
o ar tocava um sax numa boite em Massachusetis (falado pelo Mussum, que por sinal também estava lá)

cheiro de conhaque no bar, muito
depois da última apreensão, bourboun e vinho eram difíceis de encontrar

nós éramos a banda do lugar
e tocávamos só pra ganhar uns goles no butiquim
éramos negrões fudidos e oprimidos do Sul dos Estados Unidos em 1920
zero estrelas do rocknroll
sabíamos que íamos e poderíamos morrer a qualquer momento, tanto nós quanto nossos velhos pais negros de cabelos brancos e nossas filhas e filhos negros, crianças ou adolescentes
e qualquer um de nossos amigos negros como nós
afinal, éramos negrões fudidos e oprimidos do Sul dos Estados Unidos em 1920

tocávamos e as almas escorriam pelo salão

pessoas sentiam tão fortemente aquela música que uns tinham muita vontade de se masturbar

eu tinha cicatrizes no rosto uma voz tonitruante e roufenha
tocava banjo
B. media dois metros, tinha costeletas e ainda se chamava B.
Leôncio era Jonhson e tocava baixolão com mãos enormes

Nossa banda era Susie & The Heart’s Mopho

Aline era Susie, uma crioula de bunda enorme, e nós a acompanhávamos ocasionalmente em seus delírios de soul
Amávamos o jazz e o blues, éramos todos filhos de lavradores e havíamos freqüentado as igrejas gospels em nossas cidades

Uma lenda dizia que Jerry Lee espancava seu piano sob influencia de nosso guitarrista e pianista Antonys
E ainda havia Kidopoulos nas vassourinhas, preto como o petróleo e amante das atrizes de vaudeville

Éramos um bando de desgraçados impetuosos

Depois de dois intervalos e várias improvisações, em meio a um gole de Vermouth, ouvi meu verdadeiro nome sendo dito e acordei

Susie já de banho tomado me despertava
Era hora de levantar pegar um táxi e ir pro estúdio no Setor Leste da capital do Estado de Goiás

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29 de julho de 2008

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Amor à primeira vista

Amor à primeira vista
Dizem os estudiosos, não existe
Demora-se ao menos 36 horas para que o cérebro dê falta do beijo e os olhos sintam o toque do rosto do outro

Porém, em todos os grandes magazines do centro da cidade, vê-se os anúncios

Amor à vista, com desconto
À prazo, primeira parcela, somente no segundo semestre
Aceita-se cartões de crédito

Uns ainda acrescentam:

Sem consulta ao SPC ou Serasa
ou
Nas compras de amor, acima de 50 reais, ganha-se um coração felpudo

Porém, não se aceitam devoluções, sob nenhuma circunstância

Apenas em ti teu amor cabe
uma noite com teu amor e ele não veste mais ninguém
Arranha a pele dos que o experimentam
Suja a bainha da blusa das outras meninas
Aperta e não serve na cinturinha da moça de corpete

Como já dizia um baiano, “ aquele preto que tu gosta ... “

Seu amor é só seu ...

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Kamikaze Kiwi

...
Leiam essa minina Luana

http://kamikazekiwi.blogspot.com/

é das melhores coisas que li nos últimos tempos

fui
...

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Equinócio de Primavera


Certo dia acordei verão,
havia flores nos
cabelos.

Respirava por folhas verdes
e uma abelha me beijava a
nuca.

Tentei me virar e meu próprio espinho
cravou em meu
umbigo.

Do meu peito nasceram lírios
e com
olhos
botões de rosa
dos meus dois
dedões do pé
ví crescerem girassóis
dionísios.

Enfim, me vi jardim então decidi dormir, pra sonhar com a chuva e com a mão da moça,

que poderá me acordar...
colhendo flores em mim...colhendo flores em mim ...colhendo flores em mim...

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Campeão Nacional de Arremesso de Bituca de Cigarro




tenho um esporte particular
eu deitado em minha cama, arremessando bitucas de cigarro pela janela
sem que elas toquem as grades
e caiam pra dentro do quarto

tenho me dado bem e me tornado de um amador a um possível profissional

já me vejo no sportv

_ E lá vai ele no terceiro maço de Yes !!! Numa média de 7 por 1 acertos ... é fantástico !!!

_ O adversário pede arrego por não mais agüentar fumar Lexus ou Yank. Nosso campeão exultante é cumprimentado pelo Presidente da Federação Brasileira de Arremesso de Bituca, ele que assistiu a toda competição de um canto, em sua cadeira de rodas.

_ Era possível vê-lo vibrar entre uma e outra inalação de oxigênio

_ O câncer, disseram os médicos aos nossos repórteres, está regredindo, então o liberamos para essa grande celebração.


Na coxia


_ Parabéns você é um orgulho para nós !
_ Obrigado, espero não acabar como o senhor.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Love and Hate


Acordo moribundo cercado de cacos de vidro
Nu, meu corpo pelado cambaleante se arrisca levantando subitamente entre as navalhas
Precisava de uma bebida, na geladeira encontro vinho vagabundo
Numa golada refaço a noite anterior limpando da testa o mormaço e a sujeira do chão
Observando minhas mãos imundas e minhas unhas roídas
Sugiro a mim mesmo um banho
mas não agora, não agora

Volto ao quarto e abro as cortinas pra que o dia penetre na minha vida
mas há pouco sol hoje nessa cidade
e só um vento frio vem e me abraça

“Ame-me ou deixe-me em paz”, de quem é essa música que não me sai da cabeça ... ?

Disso lembro entre um gole e outro, acendendo um cigarro que por um tempo
amei te odiar ou odiei te amar

Prazer supremo, mal secreto

Pensar que gostar vem sendo a pior coisa que poderia te acontecer, obviamente não é a melhor coisa a fazer ao acordar, ainda por cima com a cabeça doendo e o estômago vazio

Humpfffff

Outro gole

Vai que eu esqueço

domingo, 18 de maio de 2008

Ogum e Iemanjá




.




não sou filho de Ogum, mas sim de Iemanjá
.
.

.
.
.
.
.

.
.
.
.
logo
eu
que
não
sei
nadar




...

São demais os perigos dessa vida



Sis dias um cara sacou uma faca pra mim
vindo na minha direção e eu escapulindo

Tinha, eu, mandado, ele, tomar no cu
É meio maluco ver alguém com uma faca na mão na eminência de te acertar
Ou não
“será que isso realmente vai acontecer...onde essa faca vai pegar... será que dói?”
Ameaças são ameaças até que se tornem o contrário

Objetivo do oponente: me tirar do passeio em frente à sua casa
Eu fui pro meio da rua

Deu meia volta e retornou de onde tinha saído, quando ouviu de mim

- Fica machão com faca na mão né...

Largou a faca e nos atracamos atravessando a rua até o passeio do outro lado, abraçados entre socos e pontapés
Balé violento e não coreografado, puro improviso

por incrível que pareça, eu que nunca briguei tinha imobilizado o cara, e podia se quisesse ter dado uma senhora cabeçada no seu nariz

chegou a turma do deixa disso

as pessoas no bar da esquina se levantaram
pra ver melhor sabe, eram quase meia noite e a rua era escura
mais um pouco e as apostas começariam

“três cervejas no cabeludo” ... “eu vou no baixinho atarracado”


um camburão da polícia vira a esquina, os policiais olham pra todos e o carro avança e se distancia
alguém diz “to flagrado” outro alguém diz “vaza daqui meu” outro alguém espertinho diz “me dá a parada que eu guardo”

me sento na esquina e penso, abrindo o zíper da blusa de frio
“preciso parar de freqüentar lugares onde as pessoas andem armadas “

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Convênio de Saúde


com uma navalha pronta pra cortar sua garganta
não me faltam motivos pra lhe matar logo mais
mas
assassinatos levam tempo e pioram a saúde
além do
mais
meu convênio green plus
não me garantiria sucesso atrás das grades



quarta-feira, 7 de maio de 2008

o herói


refaço o mesmo caminho do herói que não teve tempo de correr
morreu porque não amarrou o sapato
pulou da ponte porque achou que era raso
bebeu cicuta por indisciplina
roleta russa em orgia com prostitutas
mão boba na fila do cinema

"distraídos venceremos"

"vai meu filho ta fazendo o que aí parado na esquina
quem fica parado é poste e quem faz ponto é puta"!

mais um passo
e ainda pulo no teu pescoço

ps. um beijo

quarta-feira, 23 de abril de 2008

O Fim



o fim não é quando algo acaba

mas quando outra se inicia

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Precipício




quem adia a saída do hospital psiquiátrico
quem suspeita da virgem com mãos em riste na altura do altar
quem santifica ou inveja a porca roliça rolando na lama
quem viaja sem bilhete de volta ou se ressente com a ressaca moral
quem devora livros sem deixar de olhar pros lados ao cruzar uma esquina
Eu não me meto com gente séria
ou muito apegada ao certo
esse povo não faz bem pro meu céu
não me vejo vendo estrelas ao seu lado na noite do reveillon
nem jogando contas na maré de Iansã

em eco me faço

eu eu eu eu eu eu
eu sou eu sou eu sou eu sou
sou sou sou sou
eu
você você você
não passa daqui
não vira aqui
não sabe daqui
não
não
não

---------------
este "Precipício" estava no computador num arquivo junto com outros dois de meus poemas e outros três do Eudoro Augusto

li e gostei, mas não sei se fui eu que o escrevi, não me lembro

ou é pérola dos meus dias ou é milagre da coincidência
meu esquecimento talvez um dia me presenteie com uma surpresa
a exata descoberta
se alguém encontrar num ponto de ônibus ou em qualquer lugar o verdadeiro autor
informe-o e informe-me ... é isso.

re turn



meu copo de vodka
não me deixa trazer
meu corpo de volta

o papel



o papel tudo aceita
mas nota falsa e desaforo, a dona do bar não aceita

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Êxtase




O único objetivo da minha poesia
é
fazer com que você
ao acabar de lê-la
tenha
ou
ao menos esboce
um riso torto no canto da boca
e
os olhinhos estejam semicerrados em sorriso.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Poema de ruas e avenidas




Evito poemas que comecem com “Ó Virgem Imaculada ...”
Prefiro “Psiu” ou “Hey gata”

Que digam sobre a lua, o orvalho e o vento
Sobre rosas e chá, nem pensar
Prefiro cocaína, esterco e goma de mascar

Que chorem dores incomensuráveis ou que queiram salvar o mundo
Prefiro poemas que dispensem apresentações

Evito poemas que digam sobre o proprio umbigo ou programas de televisão
Prefiro a vida dos outros, dos bêbados das putas dos loucos
Dos que não se dão bem

Da tristeza e da massa amorfa que é o sonho
A vidinha feliz da classe média não me interessa até porque já sei como é

Evito ler poemas ao atravessar a rua, eles podem te matar

sexta-feira, 4 de abril de 2008

As Crianças de Hoje



Depois que os Três Porquinhos foram embora
Lobo Mau arrumou um emprego em seriados infantis

Dizem que no dia das crianças
Lobo Mau acorda se sentindo um pouco mais feliz

Chaupezinho, se tornou uma menina tão sapeca
facilita, e se contorce em sua dança de puta e meretriz

Fez lipoaspiração em seu culote
hoje faz programa numa boate no centro de Paris



imagem de Fernando Diass no http://fernandodiass.blogspot.com/

segunda-feira, 31 de março de 2008

a voz e as palavras


Se a voz que diz
FIRME
treme

treme é por que talvez bata um vento

sinta um frio

mesmo que diga a palavra
CALOR



A voz e as palavras, andam juntas, mas desconfio que se apedrejem em quartos escuros.

As palavras teimam em vir de supetão, de rompante, trombando, se amontoando na porta da voz, e querem o que querem na hora que querem e não se importam se a voz, solitária, rouca pode atendê-las... palavras espalhafatosas, rudes, malcriadas, birrentas.
As mais educadas vêm atrás esperando sua vez que pular da garganta e estalar a língua.
A voz muitas vezes não consegue corresponder aos caprichos e desejos das palavras, não consegue, tamanho o seu trabalho, de ocupar o exato espaço no tempo e no mundo tal qual seria o significado e o tom que aquela palavra e frase mereciam...
A voz é erudita, estudiosa, dedicada, atenciosa aos detalhes, as palavras são galhofeiras, andam em bandos, e podem muito bem, ao mesmo tempo serem dóceis e logo em seguida cruéis ... e além de tudo as palavras têm 1 zilhão de vozes pra conhecer, não se amarram assim tão fácil, querem várias bocas, gostam de beijos longos ...
Porém existem aquelas vozes de que as palavras se afeiçoam mais e sentem flanar macia sua dicção ao saírem das cordas vocais...

A voz é triste, única, mortal
as palavras são dionisíacas, mas prisioneiras da voz
existirão, as palavras, pra sempre, mesmo que não exista voz ...



A voz trêmula que afirma, afirma como palavras e nega como voz.
F. Pessoa

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Poema escrito sob a inspiração da leitura do livro “Ao encontro da PALAVRA CANTADA – poesia, música e voz” – Editora 7 letras.
Tem na Biblioteca da UFU, depois fui escutar “O Camelo e o Dromedário” e “Palavras”, ambas do disco Ô Blésq Blom dos Titãs.

31 de março de 2008




Durou o que durou ...
Durou muito? Pouco ? Suficiente ? Bobagem... nenhum amor é suficiente

Alguém sempre ama mais, e mesmo quem ama mais, não ama o suficiente pra si mesmo porque o outro não o ama como ele ama o outro ...
Gostar de alguém nada tem a ver com carência, como já disseram por aí, mas com as melhores gargalhadas da tua vida, com pizza requentada de madrugada, com perder ônibus em rodoviária, com surpresa na saída da faculdade ou do trabalho, com escolher o pior filme na locadora e nem esquentar, viajar, fazer planos que não dão certo, tomar chuva

Acreditava na teoria de que nenhum romance dura, se os amantes não tomarem uma chuva torrencial num dia qualquer. É a perfeita parábola para o acaso das suas vidas. Se os dois se derem bem e conseguirem se virar na enxurada, têm futuro ...

Futuro ...

Mas aí alguém faz alguma merda, e pode ser quem ama mais ou quem ama menos, tanto faz pouco importa,



e
tudo se fode

Ana que amava Lucas que amava Sandra que amava Jorge que amava Lucia que teve o coração partido por um desastre momentâneo ...

Acordar cada dia sabendo do soco no estômago, ao amanhecer já pôr o bife na cara
A vida é boa, mas é também decepção, incongruência, desejo frustrado
ta bom que você pode se lembrar das férias na fazenda quando tinha 12 anos
mas ...

Pode aguardar amigo, virando a esquina, lá está ela, pegando na sua mão em chave de braço

_”Me dá a sua carteira e esse sorrisinho no canto da boca. Vamo,vamo, tá demorando porque rapaz? Eu sou sua vida e você acha que eu to de brincadeira...?”

Eu estou com febre, começo de febre
rosto corado de febre, fico até bonito doente e com olheiras
fim de semana agitado, 6 e 43 da manhã de segunda feira, o mundo acorda e eu vou dormir
Escutou ? eu vou dormir ...
Na vitrolinha, Patti Smith enfia uma faca no meu coração e gira, gira uma duas três vezes e sai gritando

Eu passo ...
Se não é pra amar, não será

segunda-feira, 17 de março de 2008

Chuva




Chove lá fora.
Mas chove muito,
eu desejo um cigarro e dez mil palavras caindo sobre a cidade.

_ Meu Deus! As onomatopéias estão derrubando pontes em toda a grande São Paulo! – diz a garota do tempo - Frases inteiras arruinaram imensas plantações de café no interior do estado.

Em meu coração pingam apenas pingos, chuvinha fina, e respingam no mofo da parede, formando certas letras ...
Eu a decifrar já desconfio, dessa gramáticad’agua, que até a chuva já sabe de mim e de você, e como em figurinha de chiclete bublegum, será seu nome na parede que irá aparecer ...

quarta-feira, 5 de março de 2008

errus umanos




recomendo recometer os erros, e perder os errários em horário qualquer, inclusive imaginando serem erros os espaços em branco entre as palavras amor e dor, já que juntas, essa sopinha de palavras, seriam a consumação da condição "umana"
como num filme preto e branco exibido numa sala da adevitrin (associação dos deficientes visuais do triangulo) ...

reforçar toda nossa fragilidade é mais que fundamental
é sonho
saber que todos os ossos se quebram e que em seu colo também se aninha qualquer ombro
quebrar a cara e sorrir sem dentes na antesala do dentista
levar aquele fora no primeiro dia de aula
iluminar sua vida com lampião à gás e isqueiro, dentro da barraca, você e quem você quer, debaixo de chuva torrencial

é demais se perder por aí ...

me mandem postais

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Macaco Bong, Antonio Sodre e Cuyaba sob os pes




Anteontem vi o Macaco Bong ensaiar
li Antônio Sodré no beat frito da guitarra, sentado num canto dum estúdio abafado


_ Que se dane todas as festas do mundo e comemorações ... Natal, Páscoa, Dia das Crianças, Feriado Santo

minha festa predileta é a transcendência, a iluminação, se arriscar de madrugada em troca de diversão barata e saber que não vai levar um tiro, mesmo que não saiba

ou sendo mais mundano dormir rindo não se sabe do que
contente por existir dentro do espaço que te cabe exatamente embaixo da pele

Num certo momento, ergui P.A's imensas do meu coração

inimagináveis

e deixei-as tocar

de repente minha vida saiu, bem em frente e de dentro dos meu olhos, pra dar um role...

Depois d'um tempo ela voltou e disse.

_ E aí bicho, a vida é uma só, vai ficar aí me olhando ?

No que respondi.

_ Fica fria mulher, sou todo seu ...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

1 200 km ou 51 milhas



Pegando carona risco um
fósforo
A estrada em chamas escondendo
tesouros
Bolhas de sangue nos pés e um sorriso
nos olhos
O dedo erguido e nossas almas
em brasa
Não sou você nem sou mais
eu
sol
cuyabano queima os ossos

o
vento
cortando os pulsos
e
o

suicídio
escorrendo
Uberlândia
Cuyabá
Itumbiara
Cuyabá
Rio Verde
Cuyabá
Jataí
Cuyabá
Rondonópolis
Cuyabá
Cuyabá

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Num Covil dos Ratos



minha poesia não canta nada

- como haveria de cantar? –

berra todo nosso sufoco

como um doido na camisa de força

vem do útero do ânus estuprado

do peito doente

da cirrose do fígado


minha poesia é o pânico

a quarta dimensão terrível

da vida consumada no porto da barra pesada

das penitenciárias dos hospícios

do pervintin da maconha e da cachaça

do povo na rua

- do povo da minha laia –

minha poesia é o hino

dos libertinos

que conspiram na noite dos generais ...*

nesse labirinto não vejo saída

"seus poemas não lhe darão fama nem luxúria, quem sabe talvez uma cela escura na capital do país ...”

--------------------------

* Poema de Adauto página 251 do livro “26 poetas hoje”, música Maracatu dos Ratos da Juanna Barbêra

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

CANNIBAIS SATIVA



Já comi muita gente, mas maconha, hoje, não fumo com tanta freqüência
Comer gente é bom mas dá muito trabalho
Um dos maiores prazeres é destrinchar a carne dos ossinhos menores e fazer pequenos escapulários das pálpebras costuradas
Sentir a tessitura da pele ao ser arrancada e dependurar no varal sob o sol, junto com a sunga e a calça jeans puída



Gente hoje nem é mais um prato da moda, nos restaurantes preferem servir hambúrgueres de gergelim e sorvetes de passas ao rum
Mas ainda tenho meu livro de receitas guardado na estante
“Mestre Cuca Oswald: Como devorar pessoas abaixo do Equador”
A primeira receita envolvia Sardinha, macaxeira e tapioca


Nunca vou me esquecer do gosto doce da menina da 8ª série que, inocente, aceitou meu convite pra fazer o trabalho de álgebra em minha casa, numa sexta à tarde, sendo o mesmo trabalho pra duas semanas à frente... e em grupo


Suas sardas deram um colorido especial ao chá que preparei aos familiares durantes os cafés daquela semana


Ela me disse sobre as particularidades dos signos, de como a lua influi nas pessoas e quais os melhores dias do mês pra se cortar o cabelo...
Eu lhe contei sobre meu tio que sempre jogava no bicho, e lhe expliquei das combinações e de como funcionava as quadras, quinas e os palpites...
Ela, sorridente e feliz, me disse sobre o que havia sonhado na noite anterior

Daí não resisti e lhe dei a primeira mordida...

Abaixo a Ditadura




Abaixo a Ditadura


Logo à frente, governos ditos democráticos

Ao lado, uma ou outra monarquia

Acima, guerras na África no Azerbaidjão na Colômbia
em Moçambique na Ilha do Governador


E embaixo
NÓS

Precisamos, enfim, desatar NÓS

Amar é ...

achar lindo a marquinha marron de cocô, na calcinha da mulher amada.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Relato sobre o sono morno dos assassinos


Agraciado com coroas de espinhos e restos mortais das mãos do Rei, ao retornar de minhas peregrinações por terras infindáveis, me vi solitário em meio à multidão e a cidade.


Ao relembrar das casas incineradas e do choro das mulheres e mães por seus filhos mortos, me senti somente desgraçado. Sai do palácio após a cerimônia e mesmo com todas as congratulações pelas mortes e mutilações, os plebeus não reconheciam seu maior assassino e herói.


Caminhei por entre as ruas em festa, sentindo o corpo exausto e cansado, pensando no sono morno dos assassinos que me aguardaria durantes quantas noites daqui em diante, dos calafrios e dos pesadelos, dos delírios e das lembranças, e desejava que naquele momento ninguém dirigisse a palavra a mim.


Bebi vinho e me ajeitei num canto, quieto, da praça central. Imaginei se cada uma daquelas pessoas que festejavam ali pudesse ver o campo de batalha atulhado de corpos, o cheiro de carne queimada e sangue, o grito animalesco dos convalescentes pedindo ajuda.


Mas essa imagem seria pueril, e de nada valeria na minha intenção de demovê-los daquela alegria insana, pois alguns apreciariam, inocentes, a idéia gloriosa da carnificina. E eu não conseguiria fazê-los sentir o que sinto, o mais insano e desesperador dos sentimentos, o do guerreiro que se pergunta, após a vitória, se vale à pena matar, olhando a seus pés os amigos mortos.


De uma forma ou de outra se morre d’alguma maneira numa guerra...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Turista francesa fotografada seminua com namorado árabe na baixada fluminense *

"Ligo pro motorista ? Não, melhor um táxi. Sim, um táxi.”

_ Vamos de táxi Efrain ?.

_ Claro Isabelle.

_ Táxi ... Táxi ...

“Um táxi, sujo, dum motorista que tem uma pinta, ou melhor um verruga na cara, e a sua cara também é torta. Ele é bem feio. Com seu chapeuzinho enfiado na cabeça. Merda, que tenho eu a ver com o maldito do taxista. Na pior das hipóteses e